Irã:Conselho dos Guardiões analisa 646 queixas de irregularidades eleitorais

O mais alto órgão legislativo do Irã disse que está investigando 646 alegações de irregularidades feitas pelos três candidatos derrotados nas eleições presidenciais da semana passada. O poderoso Conselho dos Guardiões disse que convidou Mir Hossein Mousavi, Mehdi Karroubi e Mohsen Rezai para uma reunião no sábado para discutir as queixas.

BBC Brasil |

O porta-voz do conselho, Abbasali Khadkhodai, disse que foi iniciado "um exame cuidadoso" das queixas.

"Nós decidimos convidar pessoalmente os candidatos e os que têm queixas em relação à eleição para participarem de uma sessão extraordinária do Conselho dos Guardiões no sábado", afirmou.

Não se sabe se todos os candidatos aceitaram o convite. O correspondente da BBC na capital iraniana, Teerã, Jon Leyne, disse que é pouco provável que os candidatos estejam otimistas quanto ao resultado deste encontro.

O conselho, formado por seis clérigos e seis advogados, tradicionalmente é leal ao líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.

Em meados desta semana, o conselho disse que realizaria uma recontagem parcial dos votos, mas descartou a possibilidade de realizar nova eleição, como queriam os partidários de Mousavi.

Leyne afirma, contudo, que as atenções estão voltadas para um outro poderoso órgão iraniano, a Assembleia de Especialistas, que tem à frente o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani.

Ele apoia Mousavi e é um rival-chave do atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, reeleito na sexta-feira em resultados controvertidos.

Em teoria, este órgão é responsável por indicar o líder supremo e, teoricamente, de monitorar seu desempenho.

O correspondente da BBC disse que a questão, agora, é se Rafsanjani irá ou não desafiar o aiatolá Khamenei.

'Dia de Luto'
Milhares de pessoas voltaram às ruas de Teerã nesta quinta-feira, atendendo a uma convocação de Mousavi para "um dia de luto" em homenagem aos oito mortos nas manifestações da última segunda-feira por membros da milícia pró-governo Basij.

Juntamente com o ex-presidente Mohammad Khatami, Mousavi enviou uma carta para o chefe do Judiciário pedindo o fim "das ações violentas contra pessoas e a libertação dos presos".

A mídia estrangeira, inclusive a BBC, estão sofrendo fortes restrições em seu trabalho de cobertura dos acontecimentos no Irã. Os repórteres não estão tendo permissão para cobrir manifestações não autorizadas e não têm liberdade de movimento em Teerã. Não foi imposto controle, contudo, no que os profissionais podem escrever ou dizer.

Há uma expectativa de que a concentração desta quinta-feira atraia um número maior de pessoas do que a ocorrida na quarta-feira, quando dezenas de milhares de pessoas fizeram uma marcha silenciosa pelo centro de Teerã.

Estima-se que o número de manifestantes tenha ficado entre 70 mil e 500 mil.

'Intromissão'
Enquanto as manifestações da oposição continuam, o governo iraniano convocou, na quarta-feira, embaixadores estrangeiros para reclamar do que classificou como "intromissões" e "comentários impertinentes" a respeito de assuntos internos do país.

Entre os convocados para prestar contas no Ministério das Relações Exteriores do Irã estava o enviado suíço, que representa os interesses dos Estados Unidos.

As autoridades iranianas queixaram-se do que classificaram como "abordagem intervencionista" de Washington nas eleições. A Casa Branca, no entanto, negou as acusações.

Há notícia de que o governo iraniano está bloqueando sites e redes sociais de internet usadas pelos oposicionistas para divulgar informações e fotos das manifestações em Teerã.

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