Irã volta a acusar UE de interferência em assuntos internos

Teerã, 10 ago (EFE).- O Irã acusou hoje a União Europeia (UE) de interferir nos assuntos internos do país e advertiu que estudasse legalmente o comunicado divulgado no domingo pela Presidência rotativa do bloco europeu.

EFE |

Em sua habitual entrevista coletiva semanal, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Hassan Qashqavi, que no domingo à noite qualificou de "ilegal" a nota europeia, renovou os ataques contra o Ocidente, que o Irã acusa de instigar os distúrbios depois das polêmicas presidenciais iranianas de 12 de junho.

"Por que os países europeus interferem nos assuntos internos do Irã? Por que não deixam nosso povo em paz? Nós não interferimos em seus assuntos", afirmou o funcionário, citado pela televisão estatal em inglês "PressTV".

O porta-voz ministerial aproveitou seu comparecimento perante a imprensa para denunciar as facilidades que, segundo ele, alguns grupos de oposição iranianos no exílio têm para funcionar em países como os Estados Unidos e o Reino Unido.

"Esperamos que os responsáveis dos países ocidentais adotem uma aproximação honesta à questão do terrorismo", afirmou Qashqavi segundo a "PressTV".

Além disso, defendeu o julgamento realizado contra mais de 100 pessoas acusadas de instigar os distúrbios pós-eleitorais e negou que as confissões tenham sido extraídas sob pressão.

"As confissões dos detidos mostram que, junto com as tentativas violentas (de derrubar o regime), houve tentativas duras, como atentados com bomba", disse Qashqavi, segundo a "Mehr".

Neste sentido, deu como exemplo o caso do funcionário local da Embaixada do Reino Unido em Teerã, Hussein Rassam, que, no sábado, compareceu ao tribunal revolucionário de Teerã que julga os supostos instigadores.

Qashqavi disse que Rassam foi colocado em liberdade sob fiança e que ficou em casa até o julgamento, "sem receber pressões", e que o Irã, em nenhum momento, deu nenhum tipo de garantia a Londres, como disse este fim de semana o Ministério de Exteriores britânico.

Qashqavi também referiu-se hoje ao ultimato dado pelos Estados Unidos ao Irã para que responda a sua proposta de diálogo, que expiraria nos próximos meses.

"Reiteramos várias vezes que o povo iraniano está disposto ao diálogo dentro de seus interesses nacionais. No entanto, até o momento, não foi fixado nada a respeito", disse.

Além disso, o porta-voz iraniano não desmentiu nem confirmou a informação sobre a suposta captura de três cidadãos americanos que teriam entrado em território iraniano enquanto faziam caminhadas pelo Curdistão iraquiano.

"O ministro de Assuntos Exteriores do Iraque, Hoshiar Zebari, citando o embaixador iraniano em Bagdá, fez declarações ontem e eu pedi imediatamente informações a respeito a nossa embaixada", se limitou a dizer. EFE msh-jm/an

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