TEERÃ - O Irã vetou nesta terça-feira a presença da imprensa estrangeira nos protestos não autorizados, anunciou o ministério da Cultura, em uma referência às manifestações dos simpatizantes do candidadato de oposição à presidência Mir Hossein Mousavi.

O ministério afirma em um comunicado que a imprensa estrangeira deve evitar a participação ou a cobertura de concentrações que não receberam a permissão do ministério do Interior.

Nesta terça-feira, um ato em apoio a Ahmadinejad reúne milhares no centro de Teerã , mas a imprensa internacional acompanha os desdobramentos dos acontecimentos somente através das imagens fornecidas pela televisão nacional iraniana.

O ministério do Interior vetou a manifestação de segunda-feira dos simpatizantes de Mousavi no centro de Teerã, que teve a participação de um milhão de pessoas e ao menos sete mortos em confrontos com a polícia .


Imprensa foi proibida de acompanha protestos no Irã / AP

Na última segunda-feira, o governo iraniano já havia advertido que todos os jornalistas enviados pela imprensa internacional para cobrir as eleições deveriam deixar de forma imediata o país uma vez expiradas as credenciais que lhes foram concedidas.

Vários correspondentes receberam ligações, presumivelmente procedentes do Ministério de Orientação Islâmica, nas quais foram lembrados de que em nenhum caso vão ser estendidos os vistos.

O assédio à imprensa internacional, que sofre muitas dificuldades para poder informar sobre os atuais distúrbios no Irã, começou no sábado, com os primeiros protestos da oposição , liderada pelo candidato Mir Hossein Mousavi, após a vitória eleitoral do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

Alguns correspondentes estrangeiros, considerados testemunhas incômodas, receberam no sábado um fax de advertência dizendo que podiam ser detidos a qualquer momento nas ruas e que seu credenciamento poderia ser retirado.

Fontes do Ministério de Orientação Islâmica negaram o envio deste fax e falaram da existência de muitos "rumores" no país. Em qualquer caso, há vários casos concretos de assédio à imprensa internacional.

Cerco à imprensa

Pelo menos dois jornalistas estrangeiros foram detidos e outros receberam golpes por parte da polícia e dos "basij" enquanto cobriam as manifestações. Várias redes de tv tiveram material expropriado durante horas e não é permitido a elas filmar em vários lugares do país.

O escritório do canal por satélite árabe "Al Arabiya" foi fechado durante uma semana, e às agências de imprensa com serviço de televisão receberam um aviso para que não enviem imagens a meios de imprensa em língua persa, como a "BBC" e a "Voz da América", proibidos no país.

Os jornalistas iranianos também estão sofrendo o assédio das autoridades.

O jornal partidário de Mousavi foi fechado e não pôde ser vendido no domingo, enquanto vários jornalistas locais viram como seu credenciamento não foi renovado para colaborar com estrangeiros.

No sábado, em uma grande entrevista coletiva, Ahmadinejad acusou a imprensa internacional de imiscuir-se nos assuntos internos do Irã e de projetar uma imagem "errônea e negativa" do país.

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