Irã testa mísseis e gera mais tensão com potências

Por Zahra Hosseinian e Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O Irã testou nove mísseis na quarta-feira e avisou os Estados Unidos e Israel que está pronto para retaliar caso sofra qualquer ataque em virtude de seu programa nuclear.

Reuters |

O governo norte-americano, que acusa os iranianos de tentarem desenvolver bombas atômicas, disse ao Irã que não realize outros testes. O país islâmico, quarto maior produtor de petróleo no mundo, afirma que seu programa nuclear visa apenas à produção de eletricidade.

Os mísseis testados pelo Irã provocaram ondas de choque nos mercados de petróleo, ajudando os preços do barril a subirem 2 dólares após baixas recentes.

Especulações sobre a possibilidade de Israel bombardear o Irã intensificaram-se desde que o Estado judaico realizou um grande exercício militar no mês passado. E dirigentes norte-americanos não descartaram a hipótese de usar a força caso a diplomacia não consiga resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano.

O comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, afirmou em comentários divulgados por uma TV iraniana que os mísseis estavam prontos para serem disparados contra 'alvos pré-determinados'.

Imagens mostraram mísseis saindo de suas plataformas de lançamento e deixando para trás uma trilha de fumaça branca.

'Alertamos nossos inimigos que pretendem nos ameaçar com exercícios militares e operações psicológicas vazias que nossas mãos sempre estarão no gatilho e que nossos mísseis sempre estarão prontos para serem lançados', disse, segundo a agência de notícias Isna.

O ministro iraniano da Defesa, Mostafa Mohammad Najjar, em declarações divulgadas pela agência de notícias Fars, disse que os mísseis iranianos visavam apenas à defesa do país e que estavam 'a serviço da paz, da estabilidade e da segurança da região'.

O governo dos EUA determinou que o Irã 'abra mão de futuros testes com mísseis caso deseje realmente conquistar a confiança do mundo'.

ESCUDO ANTIMÍSSIL

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, sugeriu que os testes justificavam os planos dos EUA para construir um escudo antimíssil, algo a que a Rússia se opõe.

'Os que afirmam não haver nenhuma ameaça iraniana contra a qual montar defesas antimíssil talvez devessem conversar com os iranianos sobre o alcance dos mísseis que testaram', disse Rice, na Bulgária.

A França, a Alemanha e a Itália aderiram ao coro de críticas contra o Irã.

'Esses mísseis são muito perigosos --é por isso que a comunidade internacional, e não apenas Israel, interessa-se por bloquear essa escalada de uma forma definitiva', disse o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, em Ramallah (Cisjordânia).

A França disse que os testes faziam aumentar a preocupação da comunidade internacional e a Alemanha lamentou o fato de o Irã ter respondido a uma oferta de incentivos feita por potências mundiais com 'um gesto mal intencionado'.

A State Press TV, do Irã, disse que entre os mísseis 'altamente avançados' envolvidos nos testes estava o 'novo' Shahab 3, que, segundo autoridades, teria um raio de alcance de 2.000 quilômetros. O Irã afirma que bases israelenses e norte-americanas encontram-se dentro de seu alcance.

Israel, que seria o único país do Oriente Médio a ter armas nucleares, prometeu impedir que o Irã desenvolva uma bomba atômica.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Paolo Biondi em Tokayo, Japão)

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