Irã testa mísseis de longo alcance e diz estar preparado para repelir ataques

Teerã, 9 jul (EFE).- O Irã testou hoje mísseis de médio e longo alcance, inclusive um novo capaz de atingir vários alvos no Oriente Médio, após ameaçar queimar Israel e a força naval dos Estados Unidos no Golfo Pérsico caso suas instalações nucleares sejam atacadas.

EFE |

Além do míssil Shahab-3, que pesa 1 tonelada e foi projetado para atingir alvos até 2.500 quilômetros, foram testados os mísseis Shahab-2, assim como os modelos Fateh (conquistador) e Zelzal (terremoto), segundo a imprensa oficial.

Os testes, que incluíram aviões não tripulados para missões de combate e reconhecimento, aconteceram durante as manobras que os Guardiões da Revolução Islâmica (tropa de elite do regime islâmico) realizam desde segunda-feira no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

Nesses exercícios, os mais importantes em vários meses, participam soldados das forças naval e aérea da tropa de elite, considerada a espinha dorsal do regime islâmico de Teerã.

O comandante da força aérea dos Guardiões da Revolução, coronel Hossein Salami, comemorou o "total êxito" dos testes, e disse que "se trata de uma importante mensagem aos inimigos que ameaçam atacar as instalações nucleares iranianas".

Salami destacou que o principal objetivo das manobras é "mostrar as capacidades, a preparação e o desenvolvimento da indústria de defesa do Irã", e advertiu os inimigos para "que não cometam erros".

Os exercícios iranianos começaram um dia depois de unidades navais de Estados Unidos, Reino Unido e Barein realizarem manobras no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.

Os militares iranianos ameaçaram, há uma semana, bloquear o Estreito caso o Irã fosse atacado, declaração à qual os militares americanos na região reagiram prontamente, afirmando que "não permitiriam" tal ação.

Salami não mencionou Israel ou os EUA, mas Ali Shirazi, o representante da Guarda Revolucionária perante o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi mais preciso ontem, ao ameaçar "queimar" o Estado judeu e a força naval americana no Golfo Pérsico em caso de guerra contra o Irã.

Os EUA têm assinados acordos de cooperação defensiva com todas as prósperas monarquias petrolíferas árabes do Golfo Pérsico, e vários desses países abrigam bases militares americanas em seus territórios ou em suas águas jurisdicionais.

A Quinta Frota americana, que tem sua principal base no Barein, afirmou em repetidas ocasiões que protegerá o Estreito de Ormuz, situado entre Irã e Omã, já que por ali saem diariamente entre 16 milhões e 17 milhões de barris de petróleo para cobrir um terço da demanda mundial.

O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou que prefere a via diplomática para solucionar o conflito com Teerã por causa das atividades nucleares do regime dos aiatolás, mas frisou que Washington nunca descartou a opção militar.

"Estamos totalmente preparados para repelir qualquer agressão (...), temos uma força de dissuasão e nossos mísseis estão preparados para serem disparados em defesa dos objetivos vitais da República Islâmica", disse Salami.

"Estamos vigiando todos os movimentos dos inimigos", acrescentou.

Os militares iranianos endureceram o tom de suas ameaças desde que, há três semanas, circularam informações sobre a possibilidade de Israel estar preparando um ataque contra as instalações nucleares iranianas.

No entanto, a situação havia esfriado após declarações conciliatórias por parte do Irã, como a que o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, fez ontem na Malásia, onde afirmou que prefere o diálogo para resolver a polêmica sobre o programa nuclear iraniano, e descartou uma guerra contra Israel ou os EUA.

O Irã comunicou sua disposição em negociar com o chamado Grupo dos Seis (formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha), mas deixou claro que nunca abandonará o enriquecimento de urânio, tal como exige a comunidade internacional. EFE fa/wr/gs

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