Irã testa mísseis às vésperas de reunião com Grupo 5+1

Javier Martín. Teerã, 28 set (EFE).- Em uma nova demonstração de força, o Irã reafirmou hoje à comunidade internacional que lançou duas classes de mísseis de médio alcance, que segundo o regime iraniano podem alcançar o território israelense.

EFE |

A Guarda Revolucionária, corpo de elite do Exército iraniano, testou nesta segunda-feira com sucesso os projéteis Sahab-3 e Sayil, cujo raio atinge 2 mil quilômetros de distância e estão desenhados para transportar ogivas.

Além disso, o Sayil, propulsado por combustível sólido, contém duas cápsulas com motores independentes que permitem alcançar alvos que voam a grande altura, como alguns tipos de aviões de combate.

O teste foi realizado na manhã desta segunda-feira no marco das manobras balísticas que a Força Aérea realiza desde o domingo em diferentes partes desérticas do país.

"Pela primeira vez, foram feitos testes com mísseis de dois corpos que utilizam combustível sólido. A ação mostra que nossa capacidade estratégica e de defesa aumentou para fazer frente a todo tipo de ameaça", anunciou a agência de notícias semi-oficial "Fars".

Horas antes e no marco das mesmas manobras, a Guarda Revolucionária lançou mísseis de médio alcance Shahab-3, capazes de atingir os alvos em um raio entre 1,3 mil e 2 mil quilômetros.

As atividades, que suscitaram polêmica e aumentaram mais dúvidas sobre as intenções do Irã, começaram no domingo com a exibição de plataformas e de propulsão de mísseis de curto e médio alcance.

Nesta segunda-feira, foram informados vários lançamentos bem-sucedidos de mísseis classe Shahab 2, desenhados para voar entre 300 e 700 quilômetros de distância.

Segundo o comandante chefe da Força Aérea da Guarda Revolucionária, general Hussein Salami, estas práticas têm como alvo comprovar o grau de desenvolvimento técnico do programa de mísseis e manter e elevar o poder de dissuasão.

A meta principal é "avaliar o grau de desenvolvimento técnico que o Irã alcançou recentemente em seu programa de mísseis de superfície", acrescentou Salami.

As manobras aumentaram a sensação de que o Irã desafia a comunidade internacional três dias antes da retomada das negociações nucleares com o chamado Grupo 5+1 (Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, Rússia, China e Alemanha).

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Hassan Qashqavi, quis hoje dissociar as questões e insistiu em que os exercícios não estão vinculados de maneira alguma nem com o programa nuclear nem com a rodada de diálogos.

"Como o próprio nome indica, esta é a quarta edição das manobras, realizadas anualmente como a intenção de treinamento", disse o funcionário, na habitual entrevista coletiva semanal.

As suspeitas também se multiplicaram depois da denúncia na sexta-feira passada nos Estados Unidos de que o Irã constrói de forma clandestina uma nova planta de enriquecimento de urânio.

O regime de Teerã confirmou a notícia, mas ressaltou que já tinha informado a existência à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) através de carta em 21 de setembro.

O embaixador iraniano diante da agência da ONU, Ali Asghar Sultaniyé, advertiu no sábado que a postura adotada pelo Ocidente sobre o tema pode ter um impacto negativo na reunião de Genebra.

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, disse hoje que a denúncia do Ocidente sobre a usina nuclear é uma manobra para impor sua vontade nas negociações de quinta-feira.

Em declarações divulgadas pela televisão estatal iraniana por satélite "PressTV", o responsável iraniano advertiu que esta tática está condenada ao fracasso.

"Estes esforços estão orientados de maneira prioritária a impor a vontade do Ocidente sobre o Irã e forçar ao país que se submeta durante as negociações", afirmou Larijani, um político considerado conservador moderado que exerceu no passado o cargo de chefe negociador nuclear iraniano. EFE jm/dm

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