Irã tenta ganhar tempo ao aceitar mediação do Brasil, dizem EUA

Assessor americano para a América Latina diz que "parada tática" de país persa não dissuadirá Washington de buscar sanções

Reuters |

AP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, durante entrevista à rede NBC em 30 de abril
O governo americano acusou o Irã nesta quinta-feira de tentar ganhar tempo ao aceitar a mediação do Brasil em seu impasse nuclear e disse que os Estados Unidos não serão impedidos de tentar aprovar novas sanções na Organização das Nações Unidas.

O alto assessor dos EUA para a América Latina, Daniel Restrepo, descreveu a tentativa de Teerã como uma parada tática, um dia após o país ter aceitado "em princípio" uma suposta proposta do Brasil de agir como intermediário para ajudar a reiniciar um acordo de troca de combustível nuclear entre o Irã e potências Ocidentais.

O Irã pareceu tentar aproveitar a relutância entre alguns membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo o Brasil, nas discussões para mais sanções contra Teerã nas próximas semanas, com o objetivo de pressionar a República Islâmica a limitar suas supostas ambições nucleares.

"Por meio de seu envolvimento com o Brasil e outros, parece que os iranianos estão tentando ganhar tempo", disse Restrepo durante o Reuters Latin American Investment Summit, numa declaração bastante similar a que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, fez no Brasil durante visita em março.

"O Irã vem recorrendo ao Brasil, Turquia, China - e para cada um conta uma história diferente -, com o objetivo de evitar sanções, mas achamos que elas são a melhor medida para evitar consequências no Oriente Médio e no mercado de petróleo", disse Hillary na ocasião.

"Como a administração (dos EUA) deixou bem claro, achamos que cabe a nós o momento de avançar no Conselho de Segurança da ONU e esse é o meio mais eficaz de alcançar um resultado positivo sobre essa questão", disse.

O acordo de troca de combustível nuclear é visto pelas potências como uma forma de retirar boa parte do urânio de baixo enriquecimento do Irã, o que diminuiria o risco desse material ser usado para armas atômicas. Pelo acordo, o Irã receberia combustível especialmente processado para manter funcionando seu programa de medicina nuclear.

Após o anúncio do acordo, na quarta-feira, a chancelaria brasileira afirmou que o Brasil não se ofereceu para mediar o impasse , mas que defende a retomada do acordo para a troca de combustível nuclear.

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