O longa mais recente do diretor, que foi sentenciado a seis anos no mesmo julgamento do cineasta Panahi, foi apresentado em Cannes

O governo do Irã suspendeu a proibição de viagem ao exterior do diretor iraniano Mohamad Rasulof, que está em prisão domiciliar por suposta propaganda hostil ao regime, anunciou o advogado Iman Mirza Zadeh.

Rasulof, de 37 anos, cujo longa mais recente, "Bé omid é didar", está no Festival de Cannes , foi condenado a seis anos de prisão em dezembro de 2010, no mesmo julgamento que condenou o também cineasta Jafa Panahi , 50 anos.

Rasulov, que fazia um filme com Panahi antes de sua prisão, apoiou a oposição nas contestadas eleições presidenciais de junho de 2009, quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado vencedor. Rasulof e Panahi, que apelaram das sentenças, foram liberados da prisão, mas proibidos de deixar o Irã.

O advogado de Rasulof, Iman Mirza Zadeh, declarou à agência Isna que recebeu a confirmação oficial de que as autoridades suspenderam a proibição de deixar o país.

"Felizmente as autoridades culturais e oficiais decidiram retirar os obstáculos que o impediam de viajar e assistir ao Festival de Cannes", disse Mirza Zadeh. Mas o advogado afirmou que não é certo que Rasulof viaje, pois o filme já foi apresentado em Cannes.

Prisão de Panahi

Panahi foi detido em 1º de março juntamente com sua esposa, sua filha e outras pessoas que estavam em sua casa. A maioria dos detidos foi liberada em seguida. Ele foi libertado em maio após o pagamento de uma fiança de cerca de US$ 200 mil.

Logo após sua detenção, autoridades iranianas disseram que o prenderam por fazer um filme "contrário ao regime" sobre a conturbada situação que sacudiu o Irã depois da reeleição de Ahmadinejad.

Enquanto estava na prisão, Panahi fez uma greve de fome para protestar contra as condições de sua detenção e pressionar por seu pedido para ser libertado sob fiança enquanto aguardava a data do julgamento.

Panahi é conhecido por seus filmes corajosos e socialmente críticos, como "O Círculo", que arrebatou o Leão de Ouro do Festival de Veneza no ano 2000, "Ouro Carmim" e "Offside", ganhador do Urso de Prata do Festival de Berlim-2006.

Em fevereiro de 2010, as autoridades proibiram Panahi de deixar o país para assistir ao Festival de Berlim.

Sua detenção, em março, foi criticada por cineastas internacionais, como Steven Spielberg, Martin Scorsese, Ang Lee e Oliver Stone, e por outros jovens diretores iranianos.

O Festival de Cinema de Cannes e o governo francês também condenaram a prisão de Panahi, enquanto a atriz francesa Juliette Binoche caiu em prantos ao saber que ele estava em greve de fome.

*Com AFP e AP

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