Irã se torna assunto principal de reunião entre Obama e Merkel

Washington, 26 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje que o diálogo direto do país com o Irã será afetado pela repressão dos protestos contra os resultados das eleições presidenciais iranianas, e aproveitou para elogiar a coragem dos manifestantes frente à brutalidade.

EFE |

Em declaração junto com a chanceler alemã, Angela Merkel, Obama afirmou que os atos de violência cometidos contra os manifestantes "são algo escandaloso".

O presidente disse que seguirão os contatos multilaterais com o Irã, mas o diálogo direto oferecido pelo Governo americano "se verá afetado pelos eventos desta semana".

"Um Governo que trata seus cidadãos com medidas implacáveis e violência e que não pode lidar com protestos pacíficos (...) não respeita normas universais", acusou Obama, que disse que a Alemanha e os Estados Unidos "falam com uma só voz" ao exigir que os manifestantes sejam ouvidos.

Já Merkel ressaltou que os iranianos têm o direito de se manifestar pacificamente e a "uma apuração de seus votos", e afirmou que o mundo viu "cenas horríveis" de como as forças de segurança reprimiram os protestos.

Merkel adotou um tom duro para falar sobre os eventos no Irã nos últimos dias, enquanto Obama, que tinha se mantido ligeiramente afastado e cauteloso, elevou esta semana o nível de suas críticas ao regime iraniano.

Em resposta, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, vencedor oficial das eleições, exigiu ao chefe da Casa Branca "que deixe de interferir (nos assuntos do Irã) e que se desculpe".

O líder americano respondeu hoje que não leva a sério o pedido e destacou que os Estados Unidos fizeram todos os esforços possíveis para não se envolver nas eleições iranianas.

Obama recomendou a Ahmadinejad que "olhe às famílias das pessoas que foram agredidas, que foram baleadas ou detidas" por participar dos atos.

Ele afirmou que o principal líder opositor, Mir Hussein Moussavi, "inspirou as forças no Irã que estão interessadas em abrir o país".

Obama e Merkel também mostraram sua proximidade ao falar do programa nuclear iraniano.

"Temos que trabalhar para que se interrompa o programa nuclear iraniano e para que o Irã não obtenha uma arma nuclear", afirmou a chanceler alemã, que apostou nas negociações multilaterais para conseguir esse objetivo.

Obama, por sua vez, afirmou que o Irã desenvolve sua capacidade nuclear "bastante rápido" e que se obtiver uma bomba atômica, "desencadearia uma corrida armamentista no Oriente Médio que seria prejudicial não só para a segurança dos Estados Unidos, mas de toda a região, inclusive para a segurança do Irã".

Outro dos temas discutidos na reunião entre os dois líderes foi Guantánamo, mas, nesta questão, os avanços foram poucos.

Obama quer que a Alemanha e outros países europeus acolham os detidos da base para cumprir sua promessa de fechar a prisão em janeiro de 2010, mas as conversas com o Governo de Berlim ainda estão começando.

"Não houve pedidos particulares para que um número xis de detidos seja transferido para uma data específica", disse Obama.

"A chanceler Merkel não fez promessas específicas desse tipo e as conversas continuam em um nível bastante geral neste momento", acrescentou o presidente americano.

A governante alemã disse que os países "estão no começo do processo" de negociações e que a Alemanha mantém uma atitude "construtiva".

Os EUA sondaram a Alemanha sobre a possibilidade de receber nove uigures -etnia muçulmana de origem turca que habita a China - que estão detidos em Guantánamo, um prisioneiro sírio e outro tunisiano, segundo o Governo de Berlim, que disse que espera mais pedidos.

A Administração alemã ainda não respondeu a Washington, à espera de receber mais dados sobre os casos. EFE cma/db

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