Irã se diz pronto para dialogar sobre programa nuclear

Genebra - O Irã está pronto para um diálogo maior com as potências mundiais sobre seu programa nuclear, mas continuará a defender o direito de desenvolver energia atômica para fins pacíficos, disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na segunda-feira. Ele também afirmou que Teerã espera mudanças práticas do governo Obama e apoia o diálogo com os Estados Unidos baseado no respeito mútuo e na justiça.

Reuters |

"A energia nuclear, se é boa, deve ser para todos. E, se é má, ninguém deveria usar essa tecnologia", disse Ahmadinejad em uma entrevista coletiva em Genebra após comparecer a uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre racismo.

AFP
Ahmadinejad fala ao celular durante conferência da ONU

"Estamos prontos para o diálogo", acrescentou ele.

O Irã diz que desenvolve a tecnologia de enriquecimento de urânio como parte dos esforços para gerar energia nuclear - não, como Washington e alguns de seus aliados afirmam, com o objetivo de construir uma bomba atômica.

EUA, Rússia, China, França, Alemanha e Grã-Bretanha disseram este mês que pediriam ao chefe da política externa da União Européia, Javier Solana, para convidar o Irã a uma reunião a fim de encontrar uma solução diplomática à contenda nuclear.

Ahmadinejad afirmou em declarações publicadas na sexta-feira que seu país daria em breve a resposta oficial ao convite.

O Irã está em conflito com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU, que está preocupada com as atividades de Teerã de enriquecimento de urânio. Essa pode ser uma via para fabricar o material físsil para armas nucleares.

"Infelizmente, alguns governos do Ocidente não cumpriram com suas obrigações, mas eles esperam que nós cumpramos obrigações além das estabelecidas pela AIEA", disse Ahmadinejad.

Mais cedo, Ahmadinejad provocou uma debandada em protesto de vários delegados durante seu discurso, quando acusou Israel de estabelecer um "regime cruel e racista" contra os palestinos.

"Não posso pensar em nenhuma outra palavra a não ser vergonhoso", disse o embaixador adjunto Alejandro Wolff.

"Isso provoca uma séria injustiça contra a nação iraniana e o povo iraniano, e nós conclamamos a liderança iraniana a mostrar uma retórica muito mais equilibrada, moderada, honesta e construtiva quando lidar com as questões da região", afirmou.

A cúpula em Genebra já havia sido duramente atingida pelo boicote promovido pelos EUA e alguns de seus maiores aliados por causa de preocupações de que o evento seria usado como plataforma para ataques contra Israel.

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