Irã saúda posição de Brasil sobre programa nuclear

Durante visita de Amorim a Teerã, líder do Parlamento agradece intenção do Brasil de mediar a questão do programa atômico do Irã

EFE |

O presidente do deu nesta segunda-feira as boas-vindas a uma eventual mediação do Brasil na polêmica questão do programa nuclear de Teerã, acusado por grande parte da comunidade internacional de ter fins militares.

AFP
Celso Amorim com presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, em Teerã
Larijani recebeu o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, que chegou de madrugada a Teerã para preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, nos dias 15 e 16 de maio.

O parlamentar, citado pela agência de notícias local "Mehr", não ofereceu, no entanto, detalhes sobre o papel que o Brasil poderia desempenhar para solucionar a polêmica.

Amorim, por sua vez, manteve a postura do governo brasileiro e insistiu que Brasília apoia o programa nuclear iraniano, desde que seja voltado para fins pacíficos, mas não comentou se o país apoiaria possíveis sanções internacionais contra o regime persa. O ministro já havia anunciado há dois meses a vontade do Brasil de atuar como mediador do conflito, mas sem oferecer detalhes.

"O que queremos para o povo brasileiro é o que queremos para o povo iraniano, ou seja, a expansão das atividades nucleares pacíficas", disse Amorim, depois de se reunir também com o negociador nuclear iraniano na questão, Saeed Jalili.

Grande parte da comunidade internacional, sob a liderança dos Estados Unidos, acusa o regime dos aiatolás de ocultar, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e ambições bélicas, cujo objetivo seria adquirir um arsenal atômico, acusação rejeitada por Teerã.

A polêmica aumentou no final do ano passado, depois de o Irã rejeitar uma oferta dos EUA, Reino Unido e Rússia para enviar seu urânio enriquecido a 3,5% ao exterior e recuperá-lo depois enriquecido a 20%, nas condições que diz precisar para manter em operação um reator em Teerã.

Perante a falta de acordo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou o início do enriquecimento a 20%, apesar das advertências internacionais.

Desde então, o governo americano busca aprovar uma nova rodada de sanções internacionais para tentar frear o polêmico programa nuclear iraniano.

Neste ano, o Brasil assumiu uma das 15 cadeiras do Conselho de Segurança da ONU, órgão responsável pelas possíveis sanções ao regime iraniano. A esse respeito, o presidente do Parlamento iraniano voltou nesta segunda a culpar as

grandes potências pela falta de acordo e insistiu que chegar a uma solução é "simples".

"Polemizar com dados irreais não terá efeito algum sobre a vontade do povo iraniano. As grandes potências tentam complicar esse assunto para favorecer assim seus próprios interesses políticos", criticou. Durante a reunião, Larijani e Amorim expressaram a necessidade de ampliar as relações bilaterais em diversos campos, disseram.

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