O governo do Irã ordenou , nesta segunda-feira, a volta de seu encarregado de negócios na Argentina, Mario Enrique Quinteros, depois de o governo da presidente Cristina Kirchner ter criticado um dos indicados do líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad para o seu Ministério.

O indicado, Ahmad Vahidi, é procurado pela Interpol desde 2007 a pedido da Justiça argentina pelo suposto envolvimento no atentado a bomba na Associação Mutual Israelense Argentina (AMIA) em Buenos Aires, que deixou 85 mortos em 18 de julho de 1994.

A decisão do governo iraniano, um tradicional gesto de protesto na esfera diplomática, foi destaque nos meios de comunicação argentinos.

O jornal La Nación, em sua edição online, diz que a retirada de Quinteros faz com que a relação entre os dois países fique "ainda mais tensa".

"Assuntos internos"

Na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina havia manifestado, em um comunicado, sua "mais enérgica condenação" à decisão do presidente Ahmadinejad de nomear Vahidi para o Ministério da Defesa.

Para a Chancelaria argentina, a nomeação significa uma "afronta" à Justiça argentina e às vítimas do atentado.

O promotor do caso AMIA, Alberto Nisman, disse que Vahidi seria líder do grupo Al-Quds que, segundo ele, se ocuparia das ações iranianas no exterior. "E ele participou do planejamento do atentado na Argentina", disse, de acordo com o jornal argentino "Clarín".

No domingo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Hassan Ghashghavi, disse que "a posição adotada pelos responsáveis argentinos tem como objetivo evidente intrometer-se nos assuntos internos da República Islâmica e condenamos firmemente estas ações ilegais".

Segundo o "Clarín", nesta segunda-feira, o porta-voz do Irã afirmou ainda que a postura Argentina é resultado de "pressões, subornos e de propaganda por parte de lobby sionista". Ghashghavi acrescentou que a Argentina não encontrou "uma só prova" contra os iranianos.

O chefe de gabinete (equivalente a chefe da Casa Civil no Brasil) argentino, ministro Aníbal Fernández, disse, nesta segunda-feira, que o governo argentino "não quis se meter" nas questões internas do Irã.

Mas ressalvou: "Queremos discutir o que já foi discutido na Interpol e que requer a presença deste senhor para que seja julgado no nosso país", disse Fernández. Segundo ele, Vahidi é "um dos cinco iranianos e um libanês" buscados pela Interpol, pelo atentado à AMIA.

As relações entre Argentina e Irã enfrentam dificuldades pelo menos desde 2004, quando o governo iraniano anunciou a suspensão das relações econômicas e culturais com a Argentina depois da prisão de um ex-embaixador iraniano em Buenos Aires.


Leia mais sobre Irã

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.