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Irã responde a anseios populares com balas e prisão , diz Shirin Ebadi

Madri, 22 jan (EFE).- O povo do Irã expressa seus anseios de maneira pacífica, mas recebe balas e prisão do Governo, afirmou hoje a vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2003, a iraniana Shirin Ebadi, que pediu mais solidariedade do Ocidente em relação a seu país.

EFE |

A advogada e ativista de defesa dos direitos humanos fez uma palestra no Conselho Geral da Advocacia Espanhola, em Madri, na qual descreveu a situação da Justiça em seu país, asfixiada pelo poder islâmico.

Apesar desta situação, o povo iraniano "está em movimento e já não tem medo do Governo", principalmente após os protestos de junho do ano passado, afirmou Ebadi em seu discurso.

Segundo ela, "dentro de 20 dias", coincidindo com o aniversário da Revolução Islâmica de 1979, os iranianos que se opõem ao atual regime "aproveitarão as próprias manifestações convocadas pelo Governo" para sair às ruas.

"O povo já está cansado, não tem nada a perder. Suas leis, sua história, seu dinheiro, foram todos tomados", afirmou Ebadi.

Diante de autoridades judiciais e representantes dos principais colégios de advogados da Espanha, a ativista descreveu o sombrio panorama da Justiça do Irã.

"Se uma pessoa assassina outra, o juiz pode ordenar sua libertação caso receba o perdão da família do assassinado. Mas se uma mulher comete adultério, será apedrejada", destacou.

Para Ebadi, a legislação iraniana é discriminatória do ponto de vista de gênero. "O valor da vida de uma mulher é metade da de um homem", por exemplo, quando se recebe uma indenização em caso de acidente, diz.

A discriminação legal também se estende ao terreno das crenças no Irã, de maioria xiita, onde há religiões "reconhecidas" e toleradas, como o cristianismo e o judaísmo, e outras totalmente perseguidas, como os baha'i.

A comunidade desta religião conta com 300 mil membros no Irã e nenhum deles pôde ter acesso legal ao ensino universitário desde o triunfo da Revolução Islâmica.

"É um autêntico genocídio cultural", expressou Ebadi.

Com a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, as coisas "estão piores", mas pelo menos agora "a tecnologia veio em nosso socorro", ressaltou a advogada.

Todas estas dificuldades "só têm uma solução: democracia. Quando tivermos democracia, não teremos mais essas leis", afirmou Ebadi.

"O protesto contra as violações dos direitos humanos em um país não é uma intervenção em sua política interna", concluiu a ativista.

EFE jas/bba

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