Irã rejeita presença de Israel em territórios palestinos

Líder supremo iraniano, Ali Khamenei, afirmou ser contra o pedido de inclusão de um Estado palestino na ONU

iG São Paulo |

AFP
Khamenei faz pronunciamento nesse sábado (18/8)
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou nesse sábado a existência do Estado de Israel no território palestino, durante a abertura de uma conferência internacional organizada em Teerã em apoio à Intifada palestina.

Em sua intervenção, Khamenei afirmou rejeitar "taxativamente" todo plano que pretenda "dividir a Palestina em dois Estados". Para ele, "a exigência é liberdade para a Palestina, e não para parte da Palestina". Na opinião de Khamenei, a divisão em dois Estados, um israelense e outro palestino só serviria para "cumprir a reivindicação dos sionistas de obter o reconhecimento de um governo sionista em território palestino".

"Isso significaria abandonar os direitos da nação palestina, ignorar os direitos históricos dos refugiados e também ameaçar os direitos dos palestinos que viviam em sua terra em 1948 (quando a ONU aprovou uma resolução para dividir a Palestina em dois Estados)", acrescentou.

O líder iraniano propôs a reaização de um plebiscito entre os palestinos para decidir sobre a questão. Na opinião de Khamenei, a verdadeira ameaça para a existência de Israel "não é o Irã, nem os mísseis da resistência" palestina, mas "a vontade dos homens e mulheres dos Estados islâmicos que decidiram não aceitar mais a dominação dos colonialistas".

Em entrevista, ele acrescentou que qualquer acordo que aceite a existência do Estado de Israel deixará um "tumor cancerígeno" que ameaçará a segurança do Oriente Médio. "Qualquer plano que procure dividir os palestinos é totalmente rejeitado", afirmou Khamenei, rejeitando o pedido de inclusão da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU).

Os EUA, aliados de Israel, prometeram vetar o pedido palestino de se tornar membro total da ONU, que está sendo discutido por um painel do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O discurso de Khamenei salienta o apoio do Irã a grupos que se opõem a Israel, incluindo o Hamas, a facção islâmica que controla a Faixa de Gaza e rejeitou a proposta apresentada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificando-a como uma "imploração" por status de nação.

O clérigo de 72 anos também procurou vender a imagem de que o Irã é o maior defensor da causa palestina, criticando outros países da região que têm laços estreitos com Washington. Dois deles, Egito e Jordânia, reconheceram a existência do Estado de Israel.

"Governos que abrigam embaixadas ou escritórios econômicos sionistas não podem advogar em apoio à Palestina", afirmou, em comentários direcionados inclusive para o Egito pós-Mubarak. Teerã tenta restabelecer os laços com os egípcios, cortados desde 1979.

Colônias

O negociador palestino Nabil Shaath exigiu ao Quarteto para o Oriente Médio - formado pelos EUA, Rússia, ONU e União Europeia - uma referência explícita para o fim da colonização judaica na Cisjordânia, e que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceite-o publicamente, para voltar às negociações de paz.

Shaath criticou Tony Blair, enviado especial do Quarteto por ter, segundo ele, uma preferência por Israel. "Não aceitaremos esse comunicado enquanto Netanyahu não o aceitar publicamente", declarou em uma coletiva de imprensa. Nabil se referiu à declaração publicada no dia 23 de setembro pelo Quarteto, que propõe um retorno das negociações de paz para alcançar um acordo definitivo até o final de 2012.

"Depois do anúncio de Netanyahu da construção de 1,1 mil habitações (na colônia judia em Jerusalém Oriental), o Quarteto deve decidir claramente os termos de referência, e queremos que Netanyahu os aceite imediatamente", afirmou. "Não voltaremos a negociar sem o fim total da colonização", insistiu.

"Disse recentemente em Nova York que (Blair) fala como um diplomata israelense. Sua principal preocupação é não irritar os israelenses", o que o torna "muito pouco útil para nós", reforçou Nabil.

Com EFE, AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: estado palestinoirãisraelpalestinaonu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG