Irã rejeita congelar programa nuclear e conversa com UE

TEERÃ - O Irã e o representante de um grupo de seis potências mundiais conversaram por telefone, nesta segunda-feira, sem resolver o embate em torno do programa nuclear dos iranianos, algo a que a República Islâmica voltou a prometer dar prosseguimento.

Redação com agências internacionais |

Uma autoridade da União Européia (UE) afirmou que o telefonema havia sido 'inconclusivo' . Já os EUA disseram esperar uma resposta por escrito do governo iraniano na terça-feira, avisando que mais sanções seriam impostas contra o país caso essa resposta não fosse 'positiva'.

Autoridades de potências ocidentais escolheram o sábado como término informal de um prazo para que o Irã se manifestasse a respeito de uma oferta que inclui abortar as manobras para impor mais sanções via Organização das Nações Unidas (ONU) caso o país islâmico pare de ampliar seu programa.

O Irã já rechaçou o prazo. Antes do telefonema entre o principal negociador iraniano para o assunto, Saeed Jalili, e o chefe da área de política externa da UE, Javier Solana, uma autoridade iraniana disse que não haveria discussões sobre um eventual congelamento.

Potências ocidentais temem que o Irã esteja tentando desenvolver bombas nucleares sob o disfarce de um programa civil. O governo iraniano nega.

Tensão militar

Em comentários que devem aprofundar a tensão, o chefe da Guarda Revolucionária do Irã disse que o país poderia, se fosse atacado, fechar o estreito de Ormuz, uma rota vital de escoamento do petróleo. A Guarda Revolucionária disse também ter testado uma nova arma naval.

Cerca de 40 por cento do petróleo negociado no mundo sai da região através do estreito de Ormuz.

Os EUA não descartaram a possibilidade de agirem militarmente, mas insistem que desejam ver a diplomacia solucionando o impasse atual. Os rumores sobre um eventual conflito geraram tensão nos mercados de petróleo.

'A conversa telefônica não foi conclusiva. Não excluímos a possibilidade de haver novos contatos nos próximos dias', disse uma autoridade da UE à Reuters, acrescentando que Solana estava em contato com representantes dos EUA, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Rússia e China.

Depois do telefonema, uma rádio iraniana estatal afirmou: 'Os dois deram destaque à manutenção do curso atual para as negociações de Genebra. A manutenção do curso atual exige um ambiente construtivo e positivo.'

O governo iraniano prometeu fornecer uma resposta por escrito à proposta na terça-feira, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

'Concordamos que, na ausência de uma resposta clara, positiva da parte do Irã, não teremos outra opção que adotar novas medidas contra o Irã como parte dessa estratégia', disse Gonzalo Gallegos.

A Grã-Bretanha adotou a mesma linha: 'A menos que a resposta de amanhã seja clara e positiva, não teremos outra escolha que impor novas sanções', afirmou um porta-voz da chancelaria britânica.

Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU impôs três conjuntos de penalidades contra o país islâmico.

O Irã, quarto maior produtor de petróleo do mundo, descartou a possibilidade de suspender seu programa nuclear.

'O enriquecimento (de urânio) é um direito inalienável do Irã', disse em uma entrevista coletiva Hassan Qashqavi, porta-voz da chancelaria iraniana. 'Quando se trata de nossos direitos inalienáveis, vamos continuar insistindo.'

Fim do prazo

As declarações ocorrem no momento em que termina o prazo de quinze dias fixado pelas grandes potências para que Teerã responda à oferta de cooperação em troca do fim do enriquecimento de urânio.

Em 19 de julho passado, em Genebra, o negociador iraniano para temas nucleares, Said Khalili, foi informado pelo grupo dos 5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha) que Teerã tinha 15 dias de prazo para responder à proposta.

(*Com informações das agências AFP e Reuters)

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