Irã rejeita advertências dos EUA sobre bloqueio do Estreito de Ormuz

General da Guarda Revolucionária diz que não duvida da capacidade de seu país de aplicar estratégias para defender seus interesses

iG São Paulo |

O general da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Salami, rejeitou nesta quinta-feira as advertências dos Estados Unidos no caso de Teerã resolver fechar o Estreito de Ormuz , informou a agência semioficial Fars. "Não duvidamos de que seremos capazes de aplicar estratégias defensivas para proteger nossos interesses vitais", disse o militar.

Leia também: Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz se sofrer sanções

AP
Membros da Marinha iraniana tomam posições durante uma perfuração no mar de Omã

Na quarta-feira, os Estdos Unidos advertiram o Irã contra uma tentativa de interferir na navegação pela passagem, responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo utilizado no mundo. "O bloqueio do trânsito de navios não vai ser tolerado", afirmou o secretário da assessoria do Pentágono, George Little, acrescentando que não havia registrado até o momento indícios de hostilidade por parte do Irã na zona.

A tensão entre os dois países se acirrou depois que o primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad-Reza Rahimi, fez uma ameaça na terça-feira de que fecharia o Estreito de Ormuz, caso seu país sofresse sanções econômicas dos Estados Unidos .

Um dia depois, o comandante da marinha iraniana, o almirante Habibolah Sayyari, disse que o Irã acha desnecessário tomar tal medida, embora considere muito fácil realizá-la. "Fechar o Estreito é muito fácil para as Forças Armadas iranianas. É como beber um copo d'água, como se diz em persa", declarou na quarta-feira. "Atualmente não precisamos fechar o Esteito, porque controlamos o mar de Omã e podemos controlar o tráfego marítimo e petrolífero."

As medidas punitivas contra o Irã ocorrem um mês e meio depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter publicado um relatório que pela primeira vez afirma que o país persa trabalha secretamente para obter armas nucleares, apesar de Teerã ter negado isso repetidas vezes.

Devido ao relatório da AIEA e um ataque em novembro à Embaixada do Reino Unido em Teerã, a União Europeia irá igualmente aplicar sanções severas, que incluem um embargo ao petróleo iraniano.

Por cinco anos, os Estados Unidos implementaram sanções rígidas na tentativa de forçar os líderes do Irã em reconsiderar seu programa nuclear, além de responder a uma extensa lista de perguntas da AIEA.

Segundo a AFP, o Irã começou no sábado, 24 de dezembro, dez dias de manobras navais a leste do Estreito de Ormuz, que liga o mar de Omã ao Golfo de Adén. Segundo autoridades miitares, um de seus aviões identificou a entrada de um porta-aviões dos Estados Unidos em uma dessas zonas de manobra.

"Um avião de vigilância iraniano identificou um porta-aviões americano na zona de manobras em que estão mobilizados navios iranianos, fez fotos e filmou", declarou o almirante Mahmud Musavi.

"Isso demonstra que a Marinha iraniana observa e vigia todos os movimentos das forças (...) na região", completou. "Conforme o direito internacional, estamos preparados para denunciar os infratores que não respeitarem os perímetros de segurança durante as manobras."

A Quinta Frota Americana tem como base o Bahrein, o que permite a Washington ter uma importante presença naval no Golfo Pérsico e em Omã. Há a possibilidade de que o porta-aviões em questão seja o "USS John C. Stennis", à propulsão nuclear, um dos maiores navios de guerra da Marinha americana.

Apesar de o Irã advertir que estuda o fechamento do Estreito de Ormuz como uma represália a eventuais sanções, vários analistas acreditam que as autoridades iranianas estão inclinadas a ações em menor escala.

O Irã poderá, por exemplo, optar por hostilizar ou abordar navios comerciais, segundo especialistas, e isso faria parte do jogo de provocações de Teerã, que espera dissuadir qualquer apoio internacional a possíveis sanções.

O Estreito de Ormuz é particularmente vulnerável pela pequena distância entre as duas costas, de 50 km, e por sua profundidade, que não supera 60 m.

Com AFP

    Leia tudo sobre: irãsançõeseuaestreito de ormuzcrisepetróleoenergiaarmas nucleares

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG