Irã reforça relação com Síria enquanto segue polêmica sobre programa nuclear

Teerã, 3 ago (EFE).- Os presidentes da Síria e do Irã, os Estados que mais criticam a política dos Estados Unidos no Oriente Médio, estreitaram hoje sua cooperação e selaram sua aliança regional nos assuntos mais polêmicos, especialmente no que diz respeito ao programa nuclear iraniano.

EFE |

Durante o segundo dia de sua visita oficial ao Irã, o presidente sírio, Bashar al-Assad e o chefe de Estado iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, concordaram em estreitar a cooperação bilateral em todos os temas.

Após a assinatura do acordo, Ahmadinejad insistiu na disposição de seu país de manter um diálogo com o Ocidente sobre seu programa nuclear.

"Estamos comprometidos com o diálogo e queremos que seja realizado de acordo com as leis e que leve a resultados práticos neste campo", assegurou o presidente iraniano.

Além disso, explicou que seu país apresentou uma contra-oferta ao pacote de incentivos entregue pelo grupo negociador da questão nuclear, formado pelos quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, França, Reino Unido, Rússia e China, mais a Alemanha.

Estas declarações do líder iraniano são feitas um dia depois de ter assegurado que seu país "não renunciará nem sequer a um ponto" de seu direito de desenvolver a energia atômica.

Antes da ida de Assad, os presidentes assinaram um comunicado final de sete artigos, no qual ambas as partes certificam sua posição comum ao respeito das principais questões regionais.

Os dois países condenam "a continuação da construção de assentamentos israelenses nos territórios palestinos", e insistem sobre a necessidade de que Israel devolva os territórios do Golã ao povo sírio.

As partes destacaram a importância de conseguir a reconciliação nacional no Iraque, assim como a necessidade de que "as forças de ocupação" se retirem desse país.

Por outro lado, Teerã e Damasco se mostraram satisfeitos com as "positivas evoluções no Líbano" após o acordo de Doha e expressaram seu apoio ao pacto nacional através do qual foi eleito um novo presidente e um novo Governo.

Quanto ao dossiê nuclear iraniano, os presidentes destacaram a necessidade de buscar, através do diálogo, uma solução política, mantendo o direito do Irã de alcançar a tecnologia nessa área.

No comunicado, as duas partes expressaram também sua firme vontade sobre a necessidade de transformar o Oriente Médio em uma região livre de armas de destruição em massa, e pediram o desarmamento nuclear de Israel.

A visita de dois dias de Assad a Teerã coincide com o vencimento do prazo dado ao Irã para oferecer sua resposta a uma série de incentivos que foram oferecidos por vários países ocidentais em troca da suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio.

Além disso, a chegada de Assad a Teerã acontece depois que em 12 de julho o presidente francês, Nicolas Sarkozy, tivesse pedido ao líder sírio que convença o Irã a fornecer provas de que não está tentando obter armas nucleares.

Porém, tanto Assad como Ahmadinejad negaram hoje em coletiva de imprensa que a visita do presidente sírio tivesse o objetivo de transmitir alguma mensagem do mundo ocidental ao Irã sobre suas atividades nucleares.

"Minha visita não é pela questão nuclear, mas o assunto nuclear sempre faz parte de qualquer conversa com os responsáveis iranianos", disse Assad.

Assad quis deixar claro que sua viagem ao Irã foi planejada independentemente de sua recente visita à França, embora tivesse reconhecido que o país europeu lhe pediu que "desempenhe um papel" na solução do assunto nuclear iraniano.

"É normal que perguntemos aos responsáveis iranianos sobre os detalhes de sua postura para dar uma resposta às questões que nos são feitas sobre o assunto nuclear", disse o presidente sírio, sem fazer referência a algum país de forma especifica. EFE msh/bm/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG