Irã recorre ao Twitter diante de censura

San Francisco, 16 jun (EFE).- Há censura prévia, os sinais da televisão via satélite sofrem interferências e muitos sites estão bloqueados, mas os partidários do líder reformista iraniano Mir Hussein Moussavi ainda têm um meio de expressão: o Twitter.

EFE |

No Irã, o popular serviço de microblogging está substituindo os veículos tradicionais de imprensa que estão sob censura para obter e divulgar informação sobre os protestos contra o presidente do país, o recém reeleito Mahmoud Ahmadinejad.

Os oposicionistas usaram o Twitter para divulgar imagens de manifestantes mortos ou feridos que segundos depois podiam ser encontradas em portais como Flickr ou YouTube, apesar do bloqueio governamental imposto sobre muitas páginas da web.

O Twitter, que permite o envio de mensagens de até 140 caracteres via internet ou telefone celular, também está sendo usado para compartilhar listas de servidores proxy por meio das quais é possível aceder livremente à rede.

"IranElection" era o termo mais procurado hoje no serviço de microblogging. "Confirmado! O Exército entra em Teerã contra os manifestantes", escrevia um usuário chamado Benassk pouco depois das 16h20 de Brasília.

O Twitter tinha previsto suspender seu serviço hoje durante 90 minutos para fazer manutenção, mas decidiu adiar a interrupção no final da noite de ontem, em uma decisão que, segundo a imprensa americana, veio do próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, reconheceu hoje que o Governo dos EUA acompanha a situação no Irã por diferentes meios, incluindo o Twitter e a rede social Facebook, mas evitou responder perguntas sobre uma eventual ordem oficial sobre o serviço de microblogging.

O Twitter também recebeu hoje um crescente número de críticas a respeito da cobertura dos protestos pós-eleições iranianas feita pela imprensa americana.

O termo "CNNfail" remetia a centenas de críticas à conhecida rede de televisão americana. "Tenha vergonha, "CNN", por fazer as pessoas acreditarem que não houve fraude", "twittava" hoje o usuário Hark0nnen.

Esta não é a primeira vez em que o Twitter se transforma no instrumento de expressão de referência durante protestos ou crises em países onde a censura impera no resto dos meios de comunicação.

Sua grande vantagem é que seus usuários podem receber e enviar mensagens pelo celular.

Em abril, durante os protestos anticomunistas na Moldávia, o Twitter permitiu que milhares de jovens manifestantes se coordenassem e recebessem informações apesar da censura estatal.

Consciente do poder da ferramenta, o Governo chinês decidiu no último dia 2 que bloquearia tanto o Twitter, quanto o serviço de e-mail Hotmail, da Microsoft, dois dias antes do 20º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial.

Em Cuba, onde a Microsoft decidiu recentemente suspender seu serviço de mensagens instantâneas em virtude do embargo americano, o Twitter e o Facebook são duas das poucas ferramentas de interação social na web que continuam funcionando. EFE pg/bba

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