Irã ratifica condenação de jornalista à prisão e ao exílio no deserto

Teerã, 4 jan (EFE).- O Tribunal de Apelação de Teerã ratificou a condenação a seis anos de prisão e cinco de exílio em uma cidade do deserto imposta ao jornalista Ahmad Zaidabadi, acusado de ter divulgado propaganda contra a República Islâmica, segundo a sentença publicada hoje pelo jornal conservador Kayhan.

EFE |

Zaidabadi, de 44 anos, foi detido em junho durante os protestos contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, considerada pela oposição uma "fraude".

O jornalista, antigo líder estudantil do Irã e que participou da campanha eleitoral para as presidenciais do clérigo opositor Mehdi Karrubi, não poderá exercer nunca mais atividades políticas.

Além disso, deverá passar cinco anos de sua vida exilado na localidade de Gonabad, distante 1 mil quilômetros ao leste de Teerã, em um dos principais desertos do país.

Após a divulgação do resultado das eleições ocorreram os protestos e as mobilizações, reprimidas pelas Forças de Segurança, o que colocou o país na pior crise política e social de seus últimos 30 anos de história.

A pressão sobre os opositores aumentou na última semana, após os sangrentos protestos do dia sagrado de "Ashura", nas quais morreram ao menos oito pessoas, pelos números oficiais.

O site "Nasimfarda", administrado pela oposição, revelou hoje a detenção de um escritor e três ativistas políticos, dois deles ex-colaboradores da campanha eleitoral do principal líder opositor, Mir Hossein Moussavi.

Os detidos são Mohamad Rafati e Mohamad Keyghobadi, colaboradores da campanha de Moussavi na província de Golestan, no nordeste do país.

Além disso, retiveram no Ministério de Inteligência a Mahdi Motamedi Mehr, membro do "Movimento pela Paz", e o escritor e tradutor de língua alemã Reza Nayafi.

O ministro iraniano de Interior, Mustafa Mohamad Najjar, voltou no domingo a acusar aos Estados Unidos, Israel e o Reino Unido de fomentar os distúrbios e lembrou que a partir de agora a tolerância com os manifestantes será "zero". EFE msh-jm/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG