Irã quer examinar provas de suposto complô nos EUA, diz chanceler

Salehi nega acusações, mas pede que Washington forneça informações sobre suposto plano iraniano para matar embaixador saudita

iG São Paulo |

AP
Manssor Arbabsiar, um dos iranianos acusados pelos EUA, em foto de 2004
O governo do Irã está disposto a examinar as acusações dos EUA que envolvem Teerã em um suposto plano de assassinato do embaixador saudita em Washington , afirmou nesta segunda-feira o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, segundo a agência oficial iraniana Irna.

"Estamos preparados para examinar qualquer assunto, mesmo se fabricado, com seriedade e paciência, e pedimos aos EUA que nos enviem qualquer informação relativa ao caso", disse Salehi.

O chanceler voltou a afirmar que o Irã pediu aos americanos informações sobre os envolvidos "para identificar seu passado e examinar o caso", mas destacou que as acusações de Washington não têm uma base sólida e apontam para a "criação de uma história" para aumentar a pressão sobre Teerã.

Os EUA acusaram na terça-feira o Irã de um suposto complô para atacar a Embaixada de Israel em Washington e assassinar o embaixador saudita, Adel al-Jubeir - o que aumentou a tensão entre o Irã, os vizinhos árabes e o Ocidente.

No mesmo dia, anunciaram a prisão do cidadão americano-iraniano Mansur Arbabsiar, que estaria no centro do projeto. Ele supostamente pagou a um agente americano disfarçado de atirador de um cartel de drogas mexicano para realizar o assassinato.

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que passou para o Conselho de Segurança a correspondência sobre as suspeitas apresentadas pelos EUA do envolvimento do Irã no suposto plano. "Recebi a correspondência dos EUA, Irã e também do governo saudita", declarou.

O presidente Barack Obama disse que o plano deve provocar sanções mais duras contra o Irã - que já sofre sanções por conta de seu programa nuclear e balístico - e reiterou que todas as opções serão levadas em conta na hora de lidar com a República Islâmica, em uma possível ameaça de ação militar.

Teerã rejeitou imediatamente as acusações e denunciou uma manipulação destinada a dividir os países muçulmanos, proteger Israel e isolar ainda mais a República Islâmica. Para Salehi, "o Irã está sendo vítima de terrorismo, pois nunca esteve envolvido em operações terroristas" e "Washington grita para o mundo acusando a República Islâmica para confundir a opinião pública mundial".

Salehi pediu as autoridades da Arábia Saudita "cautela" a respeito das acusações dos EUA que, em sua opinião, têm como objetivo criar discórdia entre os países do Oriente Médio.

Por meio da Embaixada da Suíça em Teerã, que representa os interesses americanos na República Islâmica, o Ministério das Relações Exteriores do Irã pediu no domingo acesso consular a Arbabsiar, detido pelo suposto complô. Arbabsiar "tem dupla nacionalidade, iraniana e americana, por isso deve contar com seus direitos consulares e qualquer atraso (dos EUA) em proporcioná-los vai contra o direito internacional", disse o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Produção de combustível nuclear

Também citado pela Irna, o chanceler iraniano afirmou nesta segunda-feira que o país produzirá placas de combustível nuclear para seu reator de pesquisa de Teerã em quatro meses. "Esperamos que as placas de combustível sejam produzidas em quatro ou cinco meses" na fábrica em Ispahan (centro), "e sejam testadas no reator de pesquisa de Teerã", declarou Salehi.

O Irã justificou o início da produção de urânio enriquecido a 20%, em fevereiro de 2010, pela necessidade de alimentar seu reator de pesquisa nuclear de Teerã, cujas reservas de combustível, compradas em 1993 da Argentina, esgotam-se.

Teerã também anunciou que produzirá a partir desse urânio as placas de combustível necessárias para seu reator, o que estimou o ceticismo dos ocidentais, que afirmaram que o país não possui a tecnologia necessária para fabricá-las.

As autoridades iranianas afirmaram inicialmente que as placas seriam produzidas desde setembro de 2011, mas o projeto foi adiado por razões que não foram esclarecidas. Salehi também disse que Teerã dispõe atualmente de "79 kg de urânio enriquecido a 20%", destinados à produção desse combustível.

O enriquecimento de urânio pelo Irã está no centro do conflito entre Teerã e a comunidade internacional, que suspeita que Teerã, apesar de desmentir, busca produzir uma arma nuclear.

*Com EFE e AFP

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