Por Ingrid Melander BRUXELAS (Reuters) - O Irã cogitaria a suspensão do seu programa de enriquecimento de urânio caso recebesse garantias de que poderia importar combustível nuclear, disse um diplomata do país nesta quinta-feira.

Para isso, porém, inspetores da ONU teriam de confirmar o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, e as diversas sanções internacionais em vigor contra Teerã teriam de ser suspensas. É improvável que ambas as coisas aconteçam em curto prazo.

O Irã diz que seu programa nuclear está voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis. O Ocidente acusa a República Islâmica de tentar desenvolver armas atômicas. A ONU exige que Teerã suspenda as atividades de enriquecimento e se abra a inspeções.

Ali Ashgar Soltanieh, embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), disse que seu país tem enriquecido urânio devido à falta de um tratado internacional que garanta o fornecimento de combustível para reatores civis. O urânio enriquecido também é a matéria-prima de bombas atômicas.

Um eventual acordo nesse sentido, segundo ele, seria "um primeiro passo", com o qual o Irã manteria apenas parte do enriquecimento, para eventuais momentos de desabastecimento.

"Então o próximo passo seria realmente ver implementado", disse o diplomata a jornalistas, em Bruxelas. "Aí o Irã poderia reconsiderar a posição que temos agora. A situação seria diferente, teríamos de ver. Além disso, todo país no mundo tem de ser cauteloso e ter uma reserva de combustível como plano de contingência em caso de interrupção."

O embaixador afirmou ainda que o Ocidente tenta humilhar o Irã ao impedi-lo de realizar pesquisa e desenvolvimento nuclear. "Quando vocês usam a linguagem da ameaça, ela não funciona", alertou.

Teerã nega que esteja obstruindo as investigações da AIEA, mas acusa os inspetores de estarem a serviço dos EUA e buscarem acesso inaceitável a instalações militares convencionais, cuja abertura ameaçaria a segurança nacional.

Nesta semana, o diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, disse aos 145 países reunidos na Assembléia Geral da entidade que o Irã deveria "implementar todas as medidas de transparência necessárias para gerar confiança". "Isso seria bom para o Irã, bom para o Oriente Médio e bom para o mundo."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.