Irã quer a tecnologia de armas nucleares, diz ElBaradei

LONDRES (Reuters) - O Irã quer a habilidade de construir armas nucleares para ganhar a reputação de grande potência no Oriente Médio, afirmou o chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) em entrevista transmitida pela emissora BBC nesta quarta-feira. O embaixador de Teerã para a Agência Internacional de Energia Atômica negou a afirmação.

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Mohamed ElBaradei, diretor-geral da AIEA, afirmou que o Irã vê as armas nucleares como uma "apólice de seguro" contra as ameaças de países vizinhos ou os Estados Unidos.

A polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, lançou dúvidas sobre as esperanças das potências ocidentais de um novo diálogo sobre o programa nuclear do Irã, que o país alega ter o objetivo produzir apenas eletricidade, e não bombas atômicas.

"Minha sensação é de que o Irã definitivamente gostaria de ter a tecnologia que o possibilitaria possuir armas nucleares se eles decidirem por isso", afirmou ElBaradei à BBC. "Ele quer mandar uma mensagem aos seus vizinhos, quer mandar uma mensagem ao resto do mundo: sim, não mexam conosco, podemos ter uma arma nuclear se quisermos."

"Mas o objetivo final do Irã, como entendo, é que eles querem ser reconhecidos como uma grande potência no Oriente Médio, e eles são", acrescentou ElBaradei. "Para eles, esse é o caminho para ganhar o reconhecimento de potência e prestígio e, uma apólice de seguro contra o que eles ouviram no passado sobre mudança de regime, eixo do mal."

O embaixador iraniano, Ali Soltanieh, respondeu: "ele está completamente errado. Não temos a intenção de ter armas nucleares".

Em Viena, os Estados Unidos alegaram, em encontro da AIEA que reuniu 35 nações, que o Irã parece, neste momento, estar em uma posição de enriquecimento de urânio armamentista.

"O Irã está agora muito próximo ou com posse de suficiente urânio pouco enriquecido para produzir uma arma nuclear, se a decisão for tomada para enriquecer a um grau armamentista", afirmou o enviado norte-americano, Geoffrey Pyatt.

Para isso, o Irã teria que reconfigurar sua planta de enriquecimento para produzir combustível nuclear para bombas e miniaturizar o material para ele se ajustar em uma ogiva, passos técnicos que podem demorar de seis meses a um ano ou mais, dizem analistas.

No domingo, Ahmadinejad indicou que não haveria mudança em sua política nuclear durante o seu segundo mandato, dizendo que o assunto "pertence ao passado".

Pyatt afirmou que as dificuldades que o Irã impôs para a investigação da AIEA desde agosto de 2008 e o bloqueio de inspeções da ONU "minam profundamente a afirmação do Irã de que seu programa nuclear tem natureza exclusivamente pacífica".

Seis países, incluindo os membros da União Europeia Grã-Bretanha, França e Alemanha, ofereceram ao Irã incentivos econômicos e de outras naturezas se a nação parar de enriquecer urânio, um processo que pode fabricar combustível para usinas e armas.

(Reportagem de Peter Griffiths em Londres e Mark Heinrich em Viena)

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