Irã proíbe aliado de Mousavi de deixar o país

NOTA DO EDITOR: a Reuters e a mídia estrangeira estão sujeitos a restrições impostas pelo Irã à sua capacidade de reportar, filmar ou tirar fotos em Teerã Por Parisa Hafezi

Reuters |

TEERÃ (Reuters) - O Irã proibiu um aliado do líder da oposição do país, Mirhossein Mousavi, de deixar a república islâmica, informou neste sábado a agência de notícias estatal IRNA.

Abolfazl Fateh, chefe da comunicação de Mousavi, disse que a proibição não mudaria sua posição política, acrescentando que foi impedido de deixar o Irã por causa do seu papel nos acontecimentos posteriores à eleição.

"Pressões desse tipo não podem fazer pessoas como eu mudarem suas posições políticas", disse ele à IRNA. "A proibição imposta não mudará minhas visões políticas."

Autoridades iranianas usaram uma combinação de alertas, prisões e ameaças de ação policial na última semana para tirar das ruas de Teerã grandes protestos. As multidões menores eram dispersadas com gás lacrimogêneo e golpes de cassetete.

A mídia estatal diz que 20 pessoas foram mortas em meio à violência desde a eleição de 12 de junho --vencida pelo presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad-- e autoridades responsabilizam Mousavi pelo derramamento de sangue. Ele diz que a culpa é do governo.

O jornal estatal Iran afirmou que Fateh, que faz doutorado na Grã-Bretanha, foi proibido de deixar o país por causa do seu envolvimento com os acontecimentos posteriores à eleição.

Mousavi pediu o anulamento do pleito por causa de "fraudes".

A agência de notícias semioficial ILNA reporta que Mousavi pediu ao Ministério do Interior a permissão para um protesto dos seus partidários no sudoeste de Teerã. Nenhuma data foi mencionada no texto.

O principal órgão legislativo do Irã afirmou não ter encontrado violações importantes na eleição presidencial que descreveu como a mais saudável desde a Revolução Islâmica de 1979, mas disse que 10 por cento dos votos seriam recontados.

As ruas de Teerã estavam calmas no sábado e a rotina da cidade parecia ter voltado ao normal.

O establishment iraniano deixou claro que não deseja uma nova eleição e montou uma corte especial para lidar com os centenas de manifestantes detidos.

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