Irã pode proibir exportação de petróleo para UE semana que vem

Parlamento debate no domingo lei que prevê interrupção das exportações de petróleo antes de embargo de bloco europeu entrar em vigor

iG São Paulo |

Reuters
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acena ao chegar em Manágua, na Nicarágua (10/01)
O Parlamento do Irã debaterá no domingo uma lei que prevê a interrupção das exportações de petróleo para a União Europeia (UE) a partir da semana que vem, disse o deputado Hossein Ibrahimi, segundo informou na sexta-feira a agência iraniana de notícias Fars.

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"No domingo, o Parlamento terá de aprovar uma lei 'duplamente emergencial' pedindo a suspensão das exportações iranianas de petróleo, começando na semana que vem", afirmou Ibrahimi, que é vice-presidente do comitê parlamentar de Política Externa e Segurança Nacional, de acordo com a Fars.

O tom combativo é adotado depois de a UE ter aprovado um embargo ao produto iraniano e levanta a possibilidade de pôr fim às exportações de petróleo iraniano aos países do bloco europeu antes de o embargo entrar em efeito, a partir de julho.

A informação sobre o debate no Parlamento surge um dia depois de o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, afirmar que seu país estava pronto para retomar as negociações com as grandes potências internacionais sobre seu programa nuclear.

O líder iraniano, entretanto, disse que as sanções não forçarão o Irã a capitular às reivindicações do Ocidente, incluindo abrir mão do enriquecimento de urânio - que levou ao fracasso do diálogo no ano passado. Apesar disso, ele reconheceu que as punições impostas contra o Irã, por muito tempo subestimadas como insignificantes, estavam prejudicando os iranianos comuns.

Nesta sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse durante debate no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que não enfrentar o Irã agora para evitar que o país construa armas nucleares "será muito mais perigoso e custoso em termos de dinheiro e de vidas".

"Um Irã com armas nucleares não é um perigo só para o Oriente Médio, mas para o mundo inteiro", afirmou Barak, que aplaudiu as recentes sanções econômicas aprovadas pela UE contra Teerã.

Apesar disso, o ministro pediu "uma diplomacia mais agressiva". O ex-primeiro-ministro israelense disse que "com exceção da China e Rússia, todos estamos de acordo de que não há outra opção do que enfrentar o Irã".

Barak admitiu, no entanto, que a questão não é simples e que Teerã adota uma estratégia para ganhar tempo e dividir a unidade internacional. "Os iranianos não são jogadores de gamão, mas de xadrez. Procuram deixar seu programa nuclear numa zona de impunidade para que seja impossível conhecer o autêntico alcance de seus progressos", disse Barak.

"Quando tiverem certeza de que ninguém pode fazer nada contra eles, considerarão dar o passo definitivo", acrescentou. Para Barak, o relatório publicado em novembro pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é a evidência de que o Irã tem um programa nuclear com o objetivo de construir armamentos.

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O israelense participou de um seminário no qual se perguntava o que ocorreria se o Irã tivesse uma bomba atômica. "Arábia Saudita vai querer ter armas nucleares, assim como Turquia e o Egito", previu Barak, que alertou para o perigo das armas nucleares caírem em mãos de grupos terroristas.

"O Irã patrocina o terrorismo no Iraque, Índia, Paquistão, Líbano e nos territórios palestinos, portanto podemos imaginar o que acontecerá", afirmou.

*Com Reuters, AP e EFE

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