Irã permitirá que AIEA visite usina secreta

Teerã, 26 set (EFE).- O Irã permitirá que os especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) visitem a usina de enriquecimento de urânio que começou a construir em sigilo, disse hoje o chefe da equipe de negociação nuclear iraniana, Ali Akbar Salehi.

EFE |

Em declarações divulgadas pela televisão estatal, o responsável iraniano disse que a data será negociada diretamente com a citada agência da ONU.

De acordo com Salehi, a instalação clandestina é um projeto piloto no qual serão colocadas cerca de 3 mil centrífugas para o enriquecimento de urânio.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acompanhado pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e pelo premiê do Reino Unido, Gordon Brown, revelou na sexta-feira que o Irã está construindo em sigilo uma segunda unidade de enriquecimento de urânio e advertiu que isso viola suas obrigações com a comunidade internacional O Irã tentou se adiantar à polêmica em 21 de setembro, data em que informou, através de carta, a AIEA da existência da instalação, que parece que ainda não está pronta para enriquecer urânio.

Neste sentido, Salehi disse hoje que o Irã quis evitar "uma nova conspiração" dos Estados Unidos e de seus aliados "informando voluntariamente" sobre a existência da usina.

A notícia, junto com as incertezas geradas pelo novo projeto e pela atitude clandestina do Irã, fizeram com que a Rússia tenha se unido à condenação e que a China, reticente às sanções, também exija clareza a Teerã.

Na sexta-feira, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu em Nova York em que seu país cumpre as regras da AIEA e que essa agência pode inspecionar suas usinas nucleares.

"Não temos nenhum problema em que haja inspeções das instalações.

Não temos medo", disse o líder iraniano, acrescentando que ainda faltam pelo menos 18 meses para que esteja em operação.

As declarações de Ahmadinejad contradizem as feitas hoje tanto por Salehi quanto pelo clérigo iraniano Mohamad Mohammadi Golpayegani, que coincidiram em apontar que estará em funcionamento "em breve".

A notícia sai apenas uma semana antes de o Irã se reunir em Genebra com os representantes do grupo integrado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha para tratar a polêmica nuclear.

França e Reino Unido ameaçaram adotar novas sanções se o Irã não esclarecer suas intenções e interromper seu polêmico programa de enriquecimento de urânio. EFE jm/an

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