Nações Unidas, 2 jul (EFE) - O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, afirmou hoje que percebe uma nova atmosfera nas negociações com a comunidade internacional sobre o programa nuclear do Irã e descartou um possível ataque por parte de Israel.

Mottaki assegurou, em entrevista coletiva concedida hoje nas Nações Unidas que, "em breve, responderá" à proposta levada pelo alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, em junho com incentivos para que o Irã abandone seu programa nuclear.

A proposta apresentada por Solana é a oferta mais recente formulada pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha para resolver a crise causada pela recusa iraniana em abandonar o enriquecimento de urânio.

O chefe da diplomacia iraniana considerou que esta nova iniciativa "é diferente da do passado e mais respeitosa", e, junto a uma proposta anterior apresentada por Teerã da mesma natureza, "abre caminho para uma nova atmosfera".

Ao mesmo tempo, não quis responder se o Irã pretende aceitar a condição da nova proposta que vincula a abertura de negociações à suspensão do enriquecimento de urânio.

"Os diplomatas não acreditam que há uma única porta pela qual entrar para chegar a uma solução", disse Mottaki, que visitou a sede das Nações Unidas para participar de uma sessão do Conselho Econômico e Social (Ecosoc).

O Irã foi punido com sanções pelo Conselho de Segurança da ONU pela recusa em interromper o enriquecimento de urânio.

Mottaki amenizou a importância, em seu comparecimento perante a imprensa, de uma recente informação noticiada no jornal "The New York Times", segundo a qual Israel fez exercícios militares com o objetivo de atacar instalações do programa nuclear iraniano.

"O regime israelense ainda sofre as réplicas internas de sua derrota no Líbano e não vemos qualquer possibilidade de que embarque em outra aventura na região", assegurou.

O ministro destacou que as declarações de alguns dirigentes israelenses nas quais advertem de uma possível ação militar "são para chamar a atenção" depois do conflito com a milícia xiita libanesa Hisbolá de 2006.

Também descartou uma ação militar dos Estados Unidos, devido às dificuldades pelas quais as forças armadas americanas atravessam nos conflitos do Iraque e Afeganistão.

Mottaki considerou que o aumento das ações encobertas lançadas pelo Pentágono no Irã das quais informou esta semana a revista "New Yorker" não é uma novidade.

"Devo dizer que durante 30 anos nos familiarizamos com este tipo de interferências", acrescentou.

Ele advertiu de que a assistência militar e financeira americana citada na revista a grupos dentro do Irã como os árabes de Alwazi ou minorias do Baluchistão seria "uma contradição".

"Aqueles que apóiam este tipo de medidas não podem se considerar lutadores contra o terrorismo", destacou.

O ministro de Exteriores iraniano assegurou que "alguns recebem informação equivocada e chegam a conclusões errôneas que os levam a adotar políticas fracassadas".

Mottaki lembrou que o Irã "é parte da solução, e não parte do problema" para resolver situações como a crise política do Líbano ou conseguir a estabilização do Iraque.

Também acusou "os que vêm de fora" de utilizar o Irã como "bode expiatório" quando suas políticas no Oriente Médio fracassam. EFE jju/db

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