Irã pede que países em desenvolvimento combatam distorção da ONU

TEERÃ - O presidente do Irã pediu na terça-feira que os países em desenvolvimento se unam contra uma suposta distorção praticada contra Teerã pelo Conselho de Segurança da ONU.

Reuters |

Por iniciativa do Ocidente, que suspeita do desenvolvimento de armas atômicas, o Conselho já aprovou três pacotes de sanções contra o programa nuclear iraniano, que a República Islâmica diz ser exclusivamente pacífico.

Em discurso a ministros do Movimento dos Não-Alinhados (MNA) em Teerã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que o Conselho de Segurança e outras entidades internacionais estão sendo manipulados por algumas potências, que estariam acumulando armas atômicas enquanto negam a outros países o uso pacífico da energia nuclear.

"As grandes potências estão numa rota descendente. A extensão da sua influência cai dia-a-dia. Eles estão se aproximando do fim da sua era", disse Ahmadinejad.

Ahmadinejad propôs a criação de um "conselho arbitral" para mediar disputas e de um fundo de desenvolvimento entre os não-alinhados.

O MNA, que tem 118 membros, mais observadores, foi criado em 1961, por países então recém-independentes que queriam fugir ao alinhamento compulsório com EUA ou União Soviética durante a Guerra Fria.

Esse grupo, que nos últimos anos luta para manter sua relevância, já manifestou apoio ao uso pacífico da energia nuclear pelo Irã, tese que deve ser repetida no documento final da conferência, cujo texto preliminar a Reuters teve acesso.

Diplomatas disseram que o Irã propôs um texto mais incisivo, que acabou atenuado pelos participantes. A proposta iraniana diria que as sanções da ONU são políticas e devem ser derrubadas imediatamente. Tal trecho foi abolido.

De acordo com essas fontes, Egito, Emirados Árabes e Arábia Saudita, que são rivais regionais ou têm disputas com o Irã, resistiram aos termos sugeridos pelos anfitriões. Alguns não-árabes também teriam ficado contra.

Mas o documento final deve incluir um apelo para que todas as partes resolvam a disputa em negociações "sem pré-condições", uma expressão que o Irã sempre cita. Haverá também um alerta contra eventuais ataques a instalações nucleares pacíficas, o que seria uma violação do direito internacional.

O Irã tem até sábado para responder a uma proposta de seis grandes potências, que ofereceram benefícios comerciais e políticos em troca da suspensão do programa iraniano de enriquecimento de urânio. Até agora, Teerã não dá sinais de que vá aceitar.

"Rezamos para que o Irã, junto com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), junto com as grandes potências, resolva esta questão amigavelmente", disse à Reuters o chanceler da Tanzânia, Bernard Membe, durante um intervalo do encontro.

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