Irã participará de reunião sobre Afeganistão sugerida por Washington

O Irã vai participar no dia 31 de março em Haia, Holanda, da conferência internacional sobre o Afeganistão sugerida pelos Estados Unidos - uma decisão que pode amenizar a tensão entre Washington e Teerã e contribuir para a estabilidade no Afeganistão.

AFP |

"Vamos participar da conferência internacional sobre o Afeganistão em Haia. Ainda não sei em que nível, mas estaremos lá", declarou nesta quinta-feira à AFP o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Hassan Ghashghavi.

A conferência foi sugerida pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. A ex-primeira-dama convidou o Irã a participar do evento, mas não deve manter discussões bilaterais com os representantes iranianos em Haia.

"Não está previsto nenhum encontro bilateral com os representantes iranianos", ressaltou nesta quinta-feira o departamento de Estado.

Para o analista iraniano Mashalllah Shamsolvaezin, a presença da República Islâmica constitui "um sinal positivo de que o Irã está disposto a ajudar os Estados Unidos a resolver o problema do Afeganistão".

"O Irã está ciente de que as forças internacionais acabarão deixando o Afeganistão, e que os talibãs vão ficar no país. Teerã quer garantir que os talibãs não se tornem inimigos", explicou Shamsolvaezin à AFP.

Em 20 de março, Barack Obama tomou a iniciativa histórica de se dirigir diretamente aos líderes iranianos, sugerindo-lhes que superem 30 anos de hostilidade mútua numa mensagem transmitida por ocasião do Ano Novo iraniano.

O guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, reagiu à mensagem de Obama pedindo ao presidente americano que traduzisse suas palavras em ações concretas. "Mudem, e nossa atitude mudará", afirmou.

Na terça-feira, Obama disse esperar "progressos regulares" nas relações bilaterais.

A conferência de Haia será organizada sob o patrocínio da ONU. Foram convidadas cerca de 80 nações e 20 organizações internacionais envolvidas em operações de segurança e de reconstrução no Afeganistão.

O chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, atualmente em visita ao Brasil, declarou que "é preciso encontrar uma solução regional para a crise afegã". "O objetivo do Irã é contribuir para a estabilidade, a paz e a calma em toda a região, o que é a base de qualquer progresso", acrescentou.

Ghashghavi anunciou que o Irã também participará da reunião da Organização de Cooperação de Xangai sobre o Afeganistão, sexta-feira em Moscou. Os Estados Unidos também marcarão presença nesta reunião.

A Rússia se disse disposta a facilitar um encontro entre diplomatas iranianos e americanos.

O Irã mantém vínculos estreitos com seu vizinho afegão, sobretudo com a comunidade xiita do país, mas se opunha ao regime fundamentalista sunita dos talibãs. O país também sofre diretamente as consequências da gigantesca produção afegã de ópio.

Teerã e Washington cooperaram sobre o Afeganistão depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, com o Irã fornecendo informações e ajudando os grupos opostos aos talibãs.

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