Irã oscila entre provocação e cooperação antes de reunião

O Irã se mostrou cooperativo nesta terça-feira, a dois dias de uma reunião crucial que discutirá seu polêmico programa nuclear, anunciando uma data para a próxima inspeção de sua usina de enriquecimento de urânio, após ter elevado as tensões na véspera com testes de mísseis de longo alcance.

AFP |

Ao mesmo tempo, 239 dos 290 deputados do Parlamento iraniano advertiram as grandes potências envolvidas nas negociações sobre o programa nuclear iraniano que não deixem passar a 'oportunidade histórica' representada pela reunião da próxima quinta-feira em Genebra.

Com a intenção de demonstrar a boa vontade do Irã, o diretor do programa nuclear do país, Ali Akbar Salehi, afirmou que seu país informará a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em breve sobre o calendário das inspeções de sua segunda usina de enriquecimento de urânio em Fordoo, sul de Teerã.

A tensão aumentou consideravelmente na última sexta-feira, após o anúncio da existência desta nova usina. Os países ocidentais, que mantêm profundas suspeitas sobre as reais ambições nucleares do Irã, responderam com novas ameaças de sanções contra Teerã.

Numa tentativa de acalmar os ânimos, os iranianos anunciaram no dia seguinte que abririam a usina para a supervisão da AIEA. Há anos Teerã insiste que seu programa nuclear possui apenas fins pacíficos e que não pretende desenvolver armamento atômico.

Na segunda-feira, porém, os iranianos deixaram o Ocidente irritado com o lançamento de mísseis capazes de alcançar Israel, executado por suas tropas de elite. Foram usados mísseis Ghadr-1, uma versão melhorada dos Shabab-3, cujo alcance chega a 1.800 km, e um míssil de duas fases, o Sejil, que pode chegar a até 2.000 km de distância.

Na mesma linha, lideranças militares iranianas anunciaram nesta terça-feira a produção de uma nova geração "melhorada e ultradesenvolvida" do Sejil.

Para os Estados Unidos, que ameaçaram com novas sanções caso as dicussões de Genebra fracassem, as manobras iranianas foram uma provocação.

O chefe da delegação nuclear iraniana, Said Khalili, discutirá com representantes do grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha) sobre o novo pacote de propostas apresentadas por Teerã.

O pacote, que segundo o Irã tem como objetivo regular o problema da proliferação nuclear, não menciona nem o polêmico programa iraniano nem a questão sensível do enriquecimento de urânio.

Teerã quer discutir uma série de questões que interessam o mundo, e afirma que há muito o que oferecer para a segurança de uma região na qual o exército americano está presente em duas frentes, Iraque e Afeganistão.

As autoridades iranianas se negam a abrir mão do que consideram seu "direito inalienável" a enriquecer urânio para alimentar as futuras centrais nucleares. Em Genebra, Teerã pedirá às grandes potências autorização para importar urânio enriquecido a 20%, para um reator de pesquisas.

O grupo 5+1 já fez uma série de propostas ao Irã, entre elas um aprimoramento das relações diplomáticas e uma cooperação tecnológica em troca da suspensão de seu programa nuclear, mas os iranianos, de maneira geral, as ignoraram.

Após 14 meses de incerteza, o Irã já contabiliza três resoluções da ONU com sanções.

A insistência americana sobre o endurecimento destas sanções, no entanto, tem na Rússia e na China reações tímidas. Moscou fez um apelo à comunidade internacional para que não "ceda à emoção", e Pequim diz esperar por uma "distensão da situação".

hif-jds/ap/fp

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