Irã ordena novo julgamento para americano condenado por espionagem

Supremo vê falha em veredicto que definiu pena de morte para Amir Mirzei Hekmati, ex-soldado dos EUA acusado de ser espião da CIA

iG São Paulo |

A Suprema Corte do Irã ordenou nesta segunda-feira um novo julgamento para o ex-soldado americano Amir Mirzei Hekmati, condenado à pena de morte em janeiro após ser considerado culpado de espionagem para a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos).

Os juízes da Suprema Corte disseram que a decisão contra Hekmati “foi incompleta” e por isso suspenderam a pena de morte. “Houve um recurso contra a sentença e o Supremo encontrou deficiências no veredicto”, afirmou o procurador Gholam Hossein Mohseni Ejehi à agência estatal Irna, sem dar mais detalhes.

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AP
Imagem da TV iraniana mostra Amir Mirzaei Hekmati, condenado à morte por espionagem (27/12/11)

Hekmati, 28 anos, foi o primeiro americano condenado à morte no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. O episódio aumentou a tensão entre o país e os EUA, em meio à pressão de Washington e seus aliados para que o governo iraniano suspenda seu programa nuclear. O governo dos Estados Unidos exigiu a libertação de Hekmati.

A notícia da suspensão da pena de morte e do novo julgamento do ex-soldado foi divulgada horas antes de um encontro entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tem o Irã como principal tema .

Hekmati foi condenado por um braço da Corte Revolucionária de Teerã por colaborar com um país hostil, pertencer à CIA e tentar acusar o Irã de envolvimento em terrorismo.

Segundo o tribunal, ele recebeu treinamento especial e serviu em bases americanas no Iraque e no Afeganistão antes de ir ao Irã para uma missão de inteligência.

Em sua decisão, a Corte afirmou que Hekmati é um “mohareb”, termo islâmico para “quem luta contra Deus”, e “mofsed”, que significa “aquele que espalha a corrupção na Terra”. Não está claro quando Hekmati foi preso, mas a imprensa iraniana sugeriu que a prisão tenha acontecido em agosto ou setembro do ano passado. O Irã afirma que Hekmati admitiu ser um espião e exibiu a suposta confissão na TV estatal.

O ex-militar nasceu no Arizona, estudou em Michigan e tem tanto cidadania americana quanto iraniana. Sua família negou que ele seja um espião e disse que ele estava no Irã para visitar as avós. No mês passado, a mãe de Hekmati o visitou na prisão.

De acordo com o pai de Hekmati, Ali, ele trabalhava no Exército americano como tradutor de árabe. Quando entrou no Irã, ele estaria trabalhando como empreiteiro para uma empresa do Catar “que servia os militares americanos”. O pai não deu detalhes sobre esse trabalho.

Com AP e BBC

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