Irã ordena investigar ataque a estudantes, diz TV estatal

TEERÃ - O Ministério do Interior do Irã ordenou uma investigação sobre um ataque a estudantes universitários que, segundo eles, foi provocado por milícias islâmicas e pela polícia. As informações são da rede de televisão iraniana Press TV.

Redação com Reuters |


A emissora, que transmite em inglês, afirmou que o ministério "pediu ao gabinete do prefeito de Teerã que identifique os envolvidos" no incidente de domingo à noite. Ela não deixou claro se o próprio ministério vai analisar o caso.

O anúncio foi feito um dia após o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, condenar o ataque nos dormitórios da Universidade de Teerã.

Na terça-feira, um ativista estudantil que não quis ser identificado disse à Reuters que quatro estudantes - três homens e uma mulher - foram mortos durante o ato de violência.

O reitor da Universidade de Teerã, Farhad Rahbar, negou que alguém tenha sido assassinado, de acordo com a agência de notícias dos estudantes ISNA.

O incidente ocorreu durante amplos protestos de rua iniciados após a divulgação do resultado das eleições da semana passada, que de acordo com os números oficiais foi vencida pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad contra Mirhossein Mousavi.

Milhares de estudantes se juntaram aos protestos contra o que eles consideram uma fraude eleitoral, acusação desmentida pelas autoridades. Seguidores de Mousavi, policiais da tropa de choque e partidários de Ahmadinejad entraram em confronto na capital Teerã e em outros lugares.

Centenas de estudantes realizaram pelo segundo dia um protesto pacífico contra o ataque aos dormitórios e contra as supostas irregularidades eleitorais, disse um ativista à Reuters.

A mulher de Mousavi, Zahra Rahnavard, também condenou o incidente em declaração aos estudantes, de acordo com sua página na Internet. "Esse comportamento brutal contra vocês é por causa da vontade de vocês em realizar os seus direitos", afirmou Rahnavard, que foi pioneira na política iraniana ao fazer uma campanha ativa pelo marido.

A principal universidade do Irã tem sido tradicionalmente um lugar de dissensão, antes e depois da Revolução Islâmica de 1979.

Larijani, conservador que já foi crítico a Ahmadinejad no passado, disse na terça-feira que o Ministério do Interior deve ser responsabilizado pelo incidente na universidade porque estava a cargo da segurança.

Ele não disse quem coordenou o ataque. Estudantes disseram à Reuters que membros da milícia religiosa Basij e policiais à paisana o executaram.

O Basij é uma força paramilitar voluntária com enorme lealdade ao líder supremo aiatolá Ali Khamenei, que tem a última palavra sobre todos os assuntos de Estado no Irã.

Nos últimos três dias de violência, a polícia acusou "bandidos" de incendiar ônibus, quebrar janelas de bancos e outros edifícios e de danificar o patrimônio público.

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