Viena, 14 set (EFE).- O Irã se mostrou hoje, em Viena, disposto a dialogar sobre seu programa nuclear, mas rejeitou que essas negociações venham com a imposição de condições prévias, assim como as ameaças de intervenção militar contra suas instalações nucleares que, considera, está recebendo continuamente.

Esta postura foi colocada pelo vice-presidente iraniano, Ali Akbar Salehi, durante seu discurso perante a Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Salehi, que é também o principal responsável pelo programa atômico do Irã, insistiu na disponibilidade de seu país em colaborar com a AIEA e permitir inspeções a suas instalações nucleares, enquanto criticou a "arrogância" dos que pretendem que renuncie a seu "legítimo direito" de usar energia nuclear.

"Mais ainda, estamos sendo continuamente ameaçados com ataques a nossas instalações nucleares", denunciou o responsável iraniano, e alertou que essas ameaças só reforçam a "determinação" do Irã.

Assim, o vice-presidente do país declarou que é "desanimador observar que, apesar do aparente desaparecimento dos resquícios da Guerra Fria, o sentido de autoritarismo e arrogância parecem estar muito vivos".

Salehi advertiu sobre a disposição e a capacidade militar iraniana para se defender de qualquer ameaça.

"Vim com o herdado espírito de Viena (consenso) e uma nova perspectiva", disse Salehi, sobre a disposição do Irã em colaborar com a AIEA.

"Somos da crença de que o diálogo e a negociação não condicionada são a chave para resolver disputas", disse o dirigente iraniano.

No entanto, afirmou que as "negociações pré-condicionadas não têm nenhum propósito", em referência à exigência do Ocidente de que o regime dos aiatolás interrompa seus experimentos nucleares, especialmente os de produção de combustível atômico.

"A República Islâmica do Irã não aceita nenhum tratamento discriminatório", disse o responsável iraniano, que repetiu que seu país pretende apenas gerar energia elétrica com seu programa nuclear.

Em 1º de outubro, as potências do grupo de negociação formado por Rússia, França, China, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, e a União Europeia (UE) se reunirão com representantes iranianos para discutir uma proposta nuclear da República Islâmica para resolver esta disputa.

Há sete anos, a AIEA tenta esclarecer se o programa atômico iraniano, desenvolvido clandestinamente durante duas décadas, busca objetivos energéticos, como afirma Teerã, ou militares, como temem Estados Unidos e outras potências ocidentais. EFE As/an

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