Irã nomeia moderado para direção de setor de energia nuclear

TEERÃ (Reuters) - O governo iraniano nomeou para a chefia da Organização de Energia Atômica do país um ex-representante do Irã na agência da ONU de supervisão do uso da energia nuclear, depois que o dirigente anterior renunciou, após 12 anos no cargo, informou a mídia estatal local nesta sexta-feira. A organização conduz um programa nuclear que provoca divergências entre o Irã e países do Ocidente, os quais temem que sua meta seja a produção de bombas atômicas. O governo iraniano diz que seu objetivo é o uso pacífico da energia nuclear, para produção de eletricidade.

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Ali Akbar Salehi, ex-representante do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU, foi o escolhido para substituir Gholamreza Aghazadeh na direção da Organização de Energia Atômica em uma reunião do gabinete de governo na quinta-feira. Salehi atuou na AIEA durante o governo do ex-presidente reformista Mohammad Khatami.

Um parente de Salehi disse à Reuters que ele foi convidado, mas não ficou claro de imediato se havia aceitado.

A informação sobre a nomeação foi divulgada pela agência estatal de notícias Isna e outros órgãos da mídia local.

Salehi, um político de temperamento conciliador, é favorável à resolução da disputa nuclear entre o Irã e o Ocidente por meio de conversações, disse um analista.

Ahmadinejad descartou várias vezes ceder à pressão ocidental e suspender atividades nucleares que podem ter tanto uso civil como militar.

"A indicação de Salehi é um sinal positivo para o Ocidente. Salehi é uma pessoa sensata e de fala mansa, que tem a confiança da AIEA", disse um analista, que pediu para permanecer no anonimato.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, é a figura mais poderosa do país e tem a última palavra em todos os assuntos de Estado, incluindo a questão nuclear.

Aghazadeh, que também era vice-presidente, anunciou sua renúncia na quinta-feira. Ele é um aliado do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, que apoiou o candidato oposicionista Mirhossein Mousavi, na controvertida eleição presidencial de 12 de junho, mas o noticiário de quinta-feira sobre sua renúncia não afirmou se a decisão estava ligada ao pleito.

Ahmadinejad foi reeleito em junho, mas Mousavi diz que a votação foi fraudada e o novo governo será ilegítimo.

Ahmadinejad tomará posse em agosto. Ele já indicou que fará mudanças no gabinete de governo.

(Reportagem de Zahra Hosseinian e Parisa Hafezi)

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