Irã nega ter tomado decisão sobre execução de 'adúltera'

Segundo organização, corte tinha rejeitado reabrir julgamento de condenada à morte por adultério e, agora, também por assassinato

iG São Paulo |

AP
Foto divulgada por ONG em Londres mostra Sakineh Mohammadi Ashtiani, que foi condenada à morte no Irã (08/07/2010)
O Irã assegurou nesta quinta-feira a um órgão das Nações Unidas de diretos humanos que não tomou ainda uma decisão sobre o destino da iraniana condenada à morte por adultério e assassinato - caso que causou emoção em todo o mundo .

A afirmação foi feita depois de a Comissão Internacional contra o Apedrejamento (Icas, em inglês) ter informado que a Suprema Corte do Irã teria rejeitado na quarta-feira a reabertura do julgamento de Sakineh, com a possibilidade de que ela seja executada na próxima semana. De acordo com o Icas, o Supremo ainda confirmaria se a execução de Sakineh pode ocorrer na próxima semana.

Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos e mãe de dois filhos, foi condenada em 2006 por adultério por ter mantido uma "relação ilegal" com dois homens, sendo que um deles foi condenado à morte pelo assassinto de seu marido. Na quarta-feira, segundo o jornal americano The New York Times, a acusação inicial de "adultério" contra Sakineh teria sido ampliada para "assassinato".

O comunicado da comissão não esclarecia se Sakineh seria morta por apedrejamento, sua condenação inicial , ou pela forca. No início de julho, as autoridades iranianas anunciaram o cancelamento da execução por apedrejamento , mas ainda não está claro se essa sentença foi realmente revogada.

"Seu caso está sendo examinado e nada foi decidido por enquanto", afirmou o funcionário da justiça iraniano Mossadegh Kahnemoui a membros da Comissão da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD).

Segundo ele, a mulher confessou a prática de adultério e a participação na morte de seu marido - atos punidos com a pena de morte, segundo a lei iraniana, insistiu. "Essa mulher, além do duplo adultério, é também acusada de complô para matar o marido", destacou o iraniano.

Uma ampla campanha internacional procura, atualmente, evitar a morte da mulher. Em julho, Teerã anunciou a suspensão temporária da pena.

O presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva propôs em 31 de julho asilo a Sakineh, uma oferta apoiada por Washington , mas denunciado pelas autoridades iranianas, para quem a proposta teria sido feita sob emoção .

Apedrejamento ou forca

Na quarta-feira, uma reportagem do jornal "New York Times" sugeriu que o Irã teria aumentado as acusações contra Sakineh para responder às críticas da comunidade internacional sobre a maneira como tem lidado com o assunto.

Sob pressão internacional por conta da oferta brasileira de acolhê-la , o país teria mudado sua "versão" sobre o caso para uma em que o principal crime passa a ser o de "assassinato", diz o jornal. Como evidênica, o "NYT" destaca que a primeira reação iraniana à oferta do presidente Lula foi dizer que o líder brasileiro está " mal-informado dos detalhes da condenação " de Sakineh.

"O comentário veio após reportagens do serviço de notícias conservador Jahan, que afirmou, sem citar fontes, que Sakineh havia sido condenada pelo assassinato de seu marido, mas que os juízes não haviam liberado informações à imprensa porque os detalhes da morte 'eram demasiadamente assustadores'", escreveu o "NYT".

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, se a acusação de adultério for confirmada, ela deve ser apedrejada; se for a de assassinato, ela deve ser enforcada.

Em outra reportagem sobre o mesmo tema, o jornal "The International Herald Tribune", do mesmo grupo, afirma que o Jahan News é visto como uma fonte confiável do pensamento do governo iraniano. Para o jornal, o Irã "desdenhou" da oferta brasileira, que teria sido recebida "com frieza" pelo establishment conservador do país.

Na opinião do diário americano, a postura iraniana pode "introduzir uma pressão no que tem sido um relacionamento cada vez mais cordial" entre o Brasil e o Irã. "(A reação) também reforçou a visão dos críticos de que o Irã possui uma forma bárbara de justiça que é especialmente repressiva em relação às mulheres."

*Com AFP e BBC

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