Teerã, 11 mai (EFE).- O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Hassan Qashghavi, negou hoje que a visita que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, planejava realizar ao Brasil tenha sido cancelada devido a pressões.

"A viagem não foi suspensa pela parte brasileira, como foi dito.

Foi o Irã que cancelou a visita devido às ocupações do presidente", ressaltou Qashghavi, durante sua entrevista coletiva semanal.

Sobre isso, o porta-voz ministerial reiterou que os laços entre Irã e América Latina, e especialmente com o Brasil, "são crescentes" já que os dois são Estados com grande influência em suas respectivas regiões.

Ahmadinejad deveria realizar em 4 de maio uma viagem latino-americana, que o levaria primeiro ao Brasil e depois à Venezuela.

Qashghavi também falou sobre as difíceis relações entre o Irã e os países árabes da região, e minimizou a importância dos esforços de "inimigos" que tentam prejudicá-las.

"A criação da fobia em relação ao Irã e ao xiismo é um projeto que os inimigos utilizam para tentar prejudicar nossas boas relações com os países árabes da região. É uma estratégia destinada ao fracasso", disse.

Neste sentido, Qashghavi disse que não existe risco de que a possível aproximação entre Irã e EUA prejudique os Estados árabes, já que, segundo ele, essas relações se baseiam em dois fatores elementares: o Islã e a vizinhança.

"Os Estados Unidos não têm os dois. É por isso que temos boas relações comerciais e políticas com os países árabes, enquanto não temos relações com os EUA há 30 anos", afirmou.

Estados Unidos e Irã romperam seus laços diplomáticos em abril de 1980, após a vitória da Revolução Islâmica que tirou do poder o último xá da Pérsia, o pró-ocidental Mohammed Reza Pahlevi.

O presidente americano, Barack Obama, ofereceu ao regime de Teerã começar uma nova relação, se o Irã decidir abrir o punho.

Por último, Qashghavi insistiu em que não existe possibilidade de comparação entre as atividades nucleares do Irã e as de Israel, já que "as de nosso país são pacíficas, enquanto o regime sionista, como confessaram suas próprias autoridades, tem 200 ogivas nucleares".

A comunidade internacional, com Estados Unidos, Israel e União Europeia à frente, acusa o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, um projeto militar paralelo cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal atômico. EFE msh-jm/an

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