O governo do Irã negou nesta terça-feira acusações divulgadas pelo jornal britânico The Times de que está trabalhando para conseguir um componente importante para a fabricação de uma bomba nuclear. O jornal britânico informou na segunda-feira que obteve documentos de 2007 que descrevem um plano de quatro anos do Irã para testar um componente que funciona como um gatilho nuclear, que usa o deutério de urânio.

Este componente pode ser usado como um iniciador de nêutrons: a parte de uma bomba nuclear que desencadeia uma explosão.

No entanto, um porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast, afirmou que as informações "não têm base" e foram divulgadas para fins políticos.

"Alguns países estão irritados pelo fato de nosso povo defender seus direitos nucleares", afirmou o porta-voz, acrescentando que, quando os países ocidentais querem pressionar o Irã, eles "fabricam tais cenários, o que é inaceitável".

"Estas declarações não merecem atenção. Estas informações... visam pressionar o Irã, política e psicologicamente."
Sanções
De acordo com o correspondente diplomático da BBC, Jonathan Marcus, Paquistão e China já exploraram o uso do deutério de urânio no desenvolvimento de armas nucleares.

Marcus acrescenta que os Estados Unidos e outros governos ocidentais sempre acreditaram que o Irã tem feito pesquisas ligadas à fabricação de uma arma nuclear.

O governo iraniano, no entanto, afirma que seu programa de enriquecimento de urânio tem fins pacíficos e visa gerar energia elétrica.

O Irã se recusou a suspender o enriquecimento de urânio e, com isso, já foi submetido a uma série de sanções pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O país poderá sofrer mais sanções, pois rejeitou uma proposta de enviar o urânio com baixo nível de enriquecimento para outros países, para ser transformado em combustível que seria usado em um reator de geração de energia.

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