Irã não vai implorar para evitar sanções, diz Ahmadinejad

Por Hashem Kalantari TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã declarou na quinta-feira que não vai implorar aos adversários do programa nuclear de Teerã para evitar sanções, enquanto Rússia e Estados Unidos diziam que novas medidas podem se fazer necessárias.

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Mahmoud Ahmadinejad, que na quarta-feira chamou o presidente americano Barack Obama de "caubói" dotado de armas nucleares, disse que o Irã "vai tentar converter as sanções em uma oportunidade", e não mudar sua postura para tentar evitar que elas sejam impostas.

"Não saudamos a ideia de ameaças ou sanções, mas jamais imploraríamos àqueles que nos ameaçam com sanções para que revertessem suas sanções contra nós", ele teria dito, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

Ahmadinejad falou no momento em que Obama e o presidente russo Dmitry Medvedev assinavam um tratado de redução de armas nucleares em Praga. Obama disse que ele e Medvedev estão "trabalhando juntos no Conselho de Segurança das Nações Unidas para aprovar sanções contundentes contra o Irã".

Medvedev disse que está insatisfeito com a postura do Irã em relação a seu programa nuclear, que o Ocidente acredita que tenha por objetivo o desenvolvimento de armas atômicas.

"Teerã não está reagindo a uma série de acordos construtivos sugeridos para se chegar a uma solução de compromisso. Não podemos fechar nossos olhos para esse fato. É por isso que não excluo a possibilidade de o Conselho de Segurança ter que estudar esta questão novamente", disse Medvedev a jornalistas.

Obama espera persuadir a Rússia e a China, ambas com poder de veto no Conselho de Segurança, a abrir mão de sua tradicional relutância em relação à adoção de novas sanções.

Sua campanha deverá continuar na próxima semana, quando Medvedev e o presidente chinês Hu Jintao comparecerão a uma cúpula em Washington sobre a segurança nuclear.

Ao mesmo tempo em que fez pouco caso da ameaça de sanções, o Irã lançou um aviso desaconselhando que sejam tomadas medidas militares contra seu programa nuclear.

Depois de vários avisos de que vai reagir contra Israel se esse país o atacar, o chefe militar iraniano disse na quinta-feira que, se o Irã for atacado por Washington, ele atacará forças americanas estacionadas no Oriente Médio.

"Se a América lançar uma ameaça séria ao Irã e tomar qualquer medida contra o Irã, nenhum dos soldados americanos que se encontram na região voltará vivo para os Estados Unidos", teria dito o general Hassan Firouzabadi, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

Tropas americanas estão em ação militar no Iraque e Afeganistão. Os dois países fazem fronteira com o Irã.

(Reportagem adicional de Denis Dyomkin, em Praga)

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