Irã não suspenderá enriquecimento de urânio após sanções

Embaixador iraniano na Agência Internacional de Energia Atômica afirma que "nada muda" após decisão do Conselho de Segurança

iG São Paulo |

O Irã não interromperá suas operações de enriquecimento de urânio apesar da nova série de sanções impostas à República Islâmica pelo Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira, informou o embaixador iraniano na AIEA, Ali Asghar Soltanieh.

"Nada vai mudar. A República Islâmica do Irã vai manter suas atividades de enriquecimento de urânio", disse Ali Asghar Soltanieh, enviado do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sede em Viena, logo depois da aprovação da medida na ONU em Nova York.

Sanções aprovadas

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quarta-feira, por 12 votos contra 2 e uma abstenção, uma nova rodada de sanções contra o Irã.

Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram contra a aplicação de sanções. O Líbano, que havia apoiado o acordo entre Brasil, Turquia e Irã, se absteve de votar nesta quarta-feira. Todos os outros representantes, incluindo os cinco membros permanentes com direito a veto (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China), aprovaram com a resolução.

Reuters
Reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Resolução

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

Outras sanções

O Conselho de Segurança já adotou três rodadas de sanções contra o Irã devido a seu programa nuclear.

A primeira, aprovada em dezembro de 2006, estabeleceu o bloqueio de exportações ao Irã de material e equipamentos nucleares, além do congelamento de ativos financeiros de pessoas ou organizações envolvidas nas atividades nucleares do país.

Já a segunda rodada de sanções, aprovada em 2007, proibiu todas as exportações de armas ao país. Além disso, pessoas envolvidas no programa nuclear tiveram seus bens congelados e foram impedidas de viajar.

Em março de 2008, a ONU impôs uma última rodada de sanções, entre elas, a proibição de viagens internacionais para cinco autoridades iranianas e o congelamento de ativos financeiros no exterior de 13 companhias e de 13 autoridades iranianas. A resolução também vetou a venda para o Irã dos chamados itens de "uso duplo" – que podem ter tanto objetivos pacíficos como militares.

* Com AP, BBC Brasil e Reuters

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