Irã mantém queda-de-braço com comunidade internacional sobre programa nuclear

Teerã, 20 dez (EFE).- O ano de 2008 ficou marcado no Irã pelas intensas conversas para tentar convencer o Governo de Teerã a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, apesar das sanções estabelecidas pela ONU e o pacote de incentivos apresentado pelo Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

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O ano começou com uma visita oficial do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, que chegou a Teerã em 11 de janeiro para pedir transparência ao Irã em seu programa nuclear, que desperta temores internacionais pela possibilidade de esconder um mecanismo para a fabricação de armas atômicas.

A visita se devia ao interesse de ElBaradei na elaboração de um relatório sobre a atividade nuclear iraniana após a aprovação, no final de 2007, da terceira resolução da ONU contra Teerã.

"Se pudermos introduzir transparência nas atividades iranianas do passado e do presente poderemos preparar o terreno para a cooperação do futuro", disse ElBaradei na ocasião.

A principal autoridade da AIEA pedia dessa forma ao Irã mais colaboração e mais transparência sobre seu programa nuclear, e isso ficou claro no relatório que apresentou no final de fevereiro e que foi recebido com surpresa pelos iranianos, que já tinham dado por fechado seu caso nuclear.

Após a publicação desse relatório, que abria as portas para novas sanções contra o Governo de Teerã, as autoridades iranianas responderam com o aumento de suas atividades de enriquecimento de urânio, em um claro desafio à comunidade internacional.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou em 8 de abril que o país já tinha entrado na "fase industrial (da produção de combustível nuclear), com a instalação de três mil centrífugas".

Também antecipou a criação de outras seis mil centrífugas em Natanz, no centro do país, que, segundo Ahmadinejad, se trata de uma nova geração de equipamentos com uma capacidade cinco vezes maior que os modelos anteriores.

Quase duas semanas depois dessas declarações, chegou a Teerã uma delegação da AIEA liderada pelo vice-diretor da entidade, Olli Heinonen, com o objetivo reunir dados para o próximo relatório, que seria apresentado no começo de junho.

Heinonen permaneceu em Teerã por três dias, mas deu prosseguimento as suas reuniões em outras duas visitas realizadas em 28 de abril e 11 de maio, a fim de intensificar os esforços diplomáticos, enquanto as autoridades iranianas continuavam com sua postura de não suspender o enriquecimento de urânio.

O Irã também ofereceu ao Ocidente, em meados de maio, um pacote de propostas como contrapeso aos incentivos do Grupo 5+1, no qual ofereceu sua ajuda para estabelecer a segurança na região e no resto do mundo, assim como incentivos em matéria da energia.

Ao mesmo tempo, Teerã intensificou sua dialética de ameaças quando o novo presidente do Parlamento, Ali Larijani, advertiu que essa instituição revisaria sua cooperação com a AIEA caso "o direito nuclear do Irã fosse pisoteado".

Os esforços diplomáticos do Ocidente chegaram a seu ponto culminante no dia 14 de junho, com a visita do Alto Responsável para Política Externa da União Européia (UE), Javier Solana, que entregou aos iranianos um novo pacote de incentivos, "mais generoso e global", em troca da suspensão do enriquecimento de urânio.

"Esse pacote permite ao Irã um inovador programa nuclear e o desenvolvimento de sua situação atual", disse Solana, que pediu uma resposta rápida e positiva, embora tenha se deparado com a recusa em uma carta recebida pela UE em 4 de julho.

A resposta negativa do Irã custou ao país uma nova resolução da ONU, que apesar de não apoiar novas sanções, demonstrou unidade entre seus membros no caso nuclear de Teerã. EFE msh/mh

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