Irã liberta reformista que participou de protestos em junho

Um ex-vice-presidente iraniano teria sido liberado sob fiança depois de ter sido condenado por incitar o tumulto depois das polêmicas eleições presidenciais de junho, que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O reformista Mohammed Ali Abtahi teria sido sentenciado a seis anos de prisão por sua participação nos protestos.

BBC Brasil |

Ele foi preso logo depois das eleições de 12 de junho que desencadearam os grandes protestos dos partidários do candidato de oposição, Mir-Hosssein Mousavi.

De acordo com a agência oficial de notícias Irna, ele teria sido liberado temporariamente sob fiança de 7 bilhões de rials iranianos (cerca de R$ 739 mil).

De acordo com o ex-correspondente da BBC em Teerã Jim Muir, o veredicto de seis anos de prisão não foi anunciado oficialmente, mas relatado pelos advogados de Abtahi e partes da imprensa iraniana.

Se isto for verdade e, segundo Muir, não há motivos para que não seja, Abtahi será a figura mais importante a ser sentenciada por envolvimento nos protestos depois das eleições de junho.

Site e blog
Muir afirma que Abtahi era um dos nomes mais populares durante os dois mandatos do presidente reformista Mohammad Khatami, entre 1997 e 2005, nos quais ele foi o vice-presidente.

Considerado uma figura genial e moderna, Abtahi tinha seu próprio site e blog. Depois que Khatami se retirou da corrida presidencial em junho, Abtahi fez campanha para um dos outros candidatos de oposição, o ex-porta-voz do Parlamento Mehdi Karroubi.

Ele estava entre os primeiros oposicionistas presos depois das manifestações que ocorreram após o anúncio de que o presidente Mahmoud Ahmadinejad tinha sido reeleito com uma surpreendente maioria, em meio as acusações da oposição de uma grande fraude na votação.

De acordo com a agência de notícias iraniana, Fars, Abtahi teria dito durante seu julgamento: "A questão da fraude no Irã foi uma mentira e foi levantada para criar os tumultos".

Abtahi foi julgado junto com vários outros reformistas e também teria afirmado que o objetivo dos protestos depois da eleição foi criar uma "revolução de veludo", em uma referência à derrubada do regime comunista da Tchecoslováquia em 1989.

Abtahi também apareceu na televisão iraniana admitindo ter provocado os tumultos. Mas a família do político afirma que suas declarações foram feitas sob coação.

Cerca de 80 pessoas foram presas e cinco sentenciadas à morte devido aos tumultos logo após a reeleição de Ahmadinejad.

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