Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O Irã libertou Hossein Rassam, funcionário da embaixada britânica, sob fiança neste domingo, informou o advogado dele três semanas após a detenção devido a acusações de incitação de tumultos em meio aos protestos contra os resultados da eleição presidencial.

A fiança para Rassam, analista-chefe da embaixada em Teerã, foi de quase 100 mil dólares, disse o advogado Abdolsamad Khorramshahi.

Rassam era o último funcionário ainda detido entre nove iranianos da embaixada da Grã-Bretanha presos no mês passado por suposto envolvimento com os protestos de rua após a votação de 12 de junho, cuja lisura é contestada pela oposição reformista.

"Ele foi libertado... ele foi entregue a mim", disse Khorramshahi à Reuters. A esposa de Rassam também foi à penitenciária de Evin, em Teerã, para encontrar seu marido.

"Ele está bem. Estamos juntos e estou falando com ele agora", disse o advogado.

A mídia conservadora do Irã afirmou que Rassam desempenhou um papel chave nos tumultos após a eleição do mês passado e que sua prisão colocava luz sobre as "atividades subversivas" da Grã-Bretanha.

A Grã-Bretanha negou as acusações iranianas de que a embaixada estaria envolvida nos protestos.

O secretário do Exterior britânico, David Miliband, exigiu no mês passado a libertação dos funcionários da embaixada e disse que seus colegas da União Europeia tinham acertado dar uma "resposta forte e coletiva" a qualquer "intimidação ou assédio" de missões europeias.

O candidato de oposição Mirhossein Mousavi diz que a votação foi fraudada em favor do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad, que refuta as acusações.

A eleição gerou as maiores tensões internas no Irã, quinto maior exportador de petróleo do mundo, desde a revolução de 1979 e expôs pesadas rusgas na elite dominante.

Pelo menos 20 pessoas morreram nos confrontos após as eleições. Os tumultos esgarçaram ainda mais a relação entre Ocidente e Irã, já afetada por conta do programa nuclear de Teerã.

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