Irã liberta a funcionária franco-iraniana detida durante protestos

O Irã soltou nesta terça-feira uma funcionária franco-iraniana da embaixada da França em Teerã e parece considerar a possibilidade de colocar em liberdade condicional a jovem estudante francesa Clotilde Reiss, presa desde o dia 1o. de julho.

AFP |

O anúncio da libertação de Nazak Afshar foi feito pela presidência francesa.

"O presidente da República se inteirou com alívio da notícia da libertação de Nazak Afshar, colaboradora do serviço cultural da embaixada", diz o comunicado emitido pelo Palácio do Eliseu.

Detida quinta-feira passada, Nazak Afshar compareceu sábado, junto com Clotilde Reiss, diante de um tribunal de Teerã, na companhia de outras pessoas acusadas de terem participado das manifestações que seguiram a eleição contestada do presidente Mahmud Ahmadinejad em 12 de junho.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, conversou por telefone com Nazak Afshar, e deu a entender que a intervenção da Síria, a maior aliada do Irã no mundo árabe, foi fundamental na libertação da franco-iraniana. Sarkozy "agradece aos países da União Europeia e aos demais países amigos, como a Síria, que nos apoiaram nesta primeira fase", diz o comunicado.

O filho de Nazak Afshar, Arash Naimian, disse à AFP que está "muito feliz" com a libertação de sua mãe.

Em paralelo, os dirigentes iranianos e franceses pareceram adiantar o caso de Clotilde Reiss, 24 anos, acusada de espionagem por ter participado duas vezes de manifestações em Ispahan, onde era leitora de francês. Ela também é acusada de ter entregado um relatório sobre os protestos a um instituto de pesquisa subordinado à embaixada francesa no Irã.

"Nosso ministério assumiu um compromisso com o poder judiciário iraniano para que esta mulher possa se beneficiar de uma liberdade condicional até o fim de seu processo, sob a condição de que permaneça na embaixada da França em Teerã", afirmou à Radio France Internationale (RFI) o embaixador do Irã na França, Seyed Mehdi Mirabutalebi.

"Estamos aguardando a resposta do embaixador da França" em Teerã, acrescentou o diplomata.

O ministério francês das Relações Exteriores desmentiu "categoricamente" que Paris não tenha respondido à proposta iraniana, e convocou o embaixador para uma reunião na tarde desta terça-feira.

A chancelaria afirmou que o Irã "foi informado há várias semanas que a embaixada da França em Teerã estava pronta para receber Clotilde Reiss".

Indagado pela AFP, o pai da jovem, Rémi Reiss, respondeu que não está sabendo da proposta iraniana. "Se for verdade, é um passo adiante na direção certa", destacou.

"Temos um início de esperança de que uma solução rápida possa ser encontrada", declarou na manhã desta terça-feira o porta-voz do governo francês, Luc Chatel.

Os europeus procuraram nesta terça-feira manter a pressão diplomática sobre Teerã depois do comparecimento, sábado, das duas cidadãs francesas e de um funcionário local da embaixada britânica.

"Estamos prontos para tomar novas medidas, se for necessário. Acho que o Irã está ciente de que estamos dispostos a ir além do que já fomos", avisou o chanceler sueco, Carl Bildt, cujo país exerce atualmente a presidência da UE.

bur/yw

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