Irã leva urânio enriquecido de volta para o subsolo

Por Mark Heinrich e Sylvia Westall VIENA (Reuters) - O Irã transferiu um estoque de urânio enriquecido de volta para o subsolo, depois de retirar o que precisava para refinar material a 20 por cento de pureza, disse na segunda-feira o embaixador do país junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA.

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Ele negou especulações da imprensa de que a República Islâmica teria depositado uma grande quantidade de material em um local visível sobre o solo para atrair um bombardeio israelense, o que serviria de pretexto para que o Irã expulsasse inspetores da ONU e desenvolvesse armas nucleares por razões de segurança.

O Irã diz que mexeu no urânio para alimentar centrífugas que produzem isótopos para um reator de pesquisa médica. Governos ocidentais e inspetores da ONU desconfiam dessa informação, já que supostamente o Irã não tem capacidade técnica para obter o combustível que alimenta o reator médico, cujo estoque de combustível argentino está se esgotando.

Israel e o Ocidente temem que o Irã chegue no futuro a enriquecer urânio com pureza de 90 por cento ou mais, o que seria suficiente para o uso em armas atômicas. Teerã insiste no caráter pacífico das suas atividades.

Diplomatas também questionam por que o Irã transferiu 94 por cento da sua reserva de urânio baixamente enriquecido (cerca de 1,95 tonelada) para fora da usina subterrânea de Natanz, já que essa quantidade é muito superior ao que seria necessário para a produção de combustível para o reator em médio prazo.

"Foi meramente para a produção de material para o reator de pesquisas do Irã. Por isso o contêiner voltou à sua localização original", explicou o diplomata iraniano Ali Asghar Soltanieh a jornalistas.

"Para sua informação, simplesmente transferimos a cápsula porque tecnicamente elas precisavam disso e foram colocadas de volta (no subsolo). Usamos o material que precisávamos para o Reator de Pesquisas de Teerã", acrescentou.

Um diplomata ligado à AIEA confirmou que o contêiner foi devolvido ao subsolo, mas não informou de imediato quanto urânio baixamente enriquecido foi usado para um enriquecimento mais elevado.

Várias fontes minimizaram a hipótese de que o Irã tenha colocado o estoque de urânio na superfície por razões políticas. "Uma razão mais provável era que o Irã precisava de um contêiner grande para oferecer uma alimentação constante com pressão suficiente para o enriquecimento a 20 por cento", disse outra fonte diplomática. "Seja como for, este contêiner pode ser levado para cima e para baixo entre a instalação-piloto e a instalação-principal de Natanz em meia hora."

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