Teerã, 4 ago (EFE).- O Conselho Superior para a Segurança Nacional (CSSN) do Irã informou hoje que os responsáveis pela penitenciária de Kahrizak, ao sul de Teerã, deverão responder na Justiça pelos maus-tratos aos manifestantes reformistas ali detidos.

Segundo um comunicado da secretaria do CSSN, citado pela agência "Irna", esta decisão foi tomada depois que o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ordenasse processar os responsáveis por violar os direitos dos presos.

O comunicado diz que todos os culpados por maus-tratos ou torturas, sejam policiais ou agentes penitenciários, serão levados à Justiça.

A penitenciária de Kahrizak foi construída durante os primeiros anos do mandato do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

O local abriga principalmente detidos por tráfico e posse de drogas, mas muitos reformistas presos durante os protestos contra a polêmica reeleição de Ahmadinejad no pleito de 12 de junho foram levados para lá.

Versões não confirmadas falam dos maus-tratos sofridos pelos detidos, que inclusive não recebiam atendimento médico, o que ganhou força depois da comprovação de que dois presos morreram de meningite. Um deles era filho de um assessor de Mohsen Rezaei, candidato conservador à Presidência nas últimas eleições iranianas.

A secretária-geral da Anistia Internacional (AI), Irene Khan, pediu hoje às autoridades iranianas para que aproveitem o novo mandato de Ahmadinejad, que fará o juramento do cargo amanhã, para "virar a página" da espiral de repressão que assolou o país nas últimas semanas.

Na véspera da posse, a Anistia pediu hoje a libertação imediata dos detidos nas manifestações e criticou o fato de que pelo menos 100 pessoas estejam sendo julgadas a portas fechadas e sem acesso a advogados ou a suas famílias, tendo sido inclusive prováveis vítimas de tortura. EFE msh/bba

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