A justiça do Irã iniciou nesta segunda-feira a recontagem parcial dos votos da polêmica eleição presidencial de 12 de junho, informou o canal Al-Alam.

"O Conselho de Guardiães da Constituição começou a recontagem de 10% das urnas", informou o canal.

O presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad foi declarado vencedor na eleição com 63% dos votos. Os adversários acusaram uma grande fraude e exigiram a anulação do pleito, além da convocação de uma nova eleição.

"Resultado será mantido"

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou na quarta-feira que o resultado da eleição, questionado pela oposição, vai ser mantido , apesar dos protestos de rua que as autoridades iranianas atribuem ao incitamento dos Estados Unidos e Grã-Bretanha.

A oposição se recusa a aceitar a decisão. O clérigo reformista Mehdi Karoubi, o último colocado na eleição presidencial do dia 12, qualificou o novo governo de "ilegítimo" e cerca de 200 manifestantes enfrentaram na quarta-feira o esquema de segurança repressivo perto do Parlamento.


AP

Forças iranianas sentam em local próximo ao Parlamento,
onde ocorreu novo protesto nesta quarta-feira

A polícia antidistúrbios usou gás lacrimogêneo para pôr fim ao protesto. A polícia e a milícia pró-regime conseguiram amplamente retomar o controle das ruas esta semana depois das maiores manifestações antigovernamentais desde a Revolução Islâmica, em 1979.

A liderança ultraconservadora se recusa a fazer concessões. "Eu insisti e vou continuar a insistir na implementação da lei na questão da eleição", disse Khamenei, a figura mais poderosa no Irã. "Nem o regime nem a nação vão se render à pressão, a nenhum custo."

Os protestos expuseram divisões sem precedentes dentro do sistema clerical. O moderado ex-primeiro-ministro Mirhossein Mousavi insiste que perdeu a eleição por causa de fraude em favor do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad, que foi reeleito.

Khamenei normalmente se mantém acima de divergências políticas, mas se posicionou fortemente ao lado de Ahmadinejad, enquanto Mousavi tem o apoio do poderoso ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, um pragmático, a favor de uma política externa menos direcionada para o confronto.

Entenda os protestos

O Irã é palco há quase duas semanas de mobilizações e enfrentamentos nos quais morreram pelo menos 20 pessoas, segundo fontes oficiais.

As manifestações foram organizadas pelos três candidatos perdedores das eleições, que denunciaram uma grande fraude em favor do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que obteve uma inesperada vitória no primeiro turno.

O regime iraniano, no entanto, acusou países ocidentais, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, de conspirar com o objetivo de forçar o que Teerã chama de "uma revolução de veludo".

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