Irã inicia recontagem parcial de votos e nega fechamento de embaixadas

A justiça do Irã iniciou nesta segunda-feira a recontagem parcial dos votos da polêmica eleição presidencial de 12 de junho, informou o canal Al-Alam, ao mesmo tempo que o governo do país negou planejar o fechamento de embaixadas em Teerã e confirmou a liberação de cinco funcionários iranianos da embaixada britânica.

AFP |

"O Conselho de Guardiães da Constituição começou a recontagem de 10% das urnas", informou o canal.

O presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad foi declarado vencedor na eleição com 63% dos votos. Os adversários acusaram uma grande fraude e exigiram a anulação do pleito, além da convocação de uma nova eleição.

Ao mesmo tempo, a comissão especial iraniana responsável pela recontagem parcial dos votos revelou que examina uma proposta do candidato derrotado, o conservador moderado Mir Hossein Moussavi, para encontrar uma solução para a crise.

"No fim da noite de ontem (domingo), uma personalidade política apresentou ao Conselho de Guardiães da Constituição uma proposta de Mir Hossein Moussavi e esta proposta foi considerada positiva pelo Conselho", declarou Abbas Ali Kadjodaie, porta-voz do Conselho.

Kadjodaie informou que a comissão especial terá uma reunião com representantes de Moussavi nesta segunda-feira para examinar a proposta.

Kadjodaie se negou a revelar os detalhes da proposta de Moussavi, mas completou que o Conselho de Guardiães da Constituição, responsável por validar os resultados eleitorais, está disposto realizar uma recontagem das cédulas de acordo com o método de Moussavi.

No entanto, descartou mais uma vez a recontagem total dos votos da eleição de 12 junho.

A repressão das manifestações que pediam a anulação das eleições deixaram pelo menos 17 mortos, além de centenas de feridos e detidos no país.

O governo do Irã destacou ainda nesta segunda-feira que não planeja fechar embaixadas em Teerã nem reduzir suas relações diplomáticas com países estrangeiros, informou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, confirmando a liberação de cinco funcionários iranianos da embaixada britânica.

"Não existe nenhum projeto atualmente de fechar qualquer embaixada ou de reduzir nossos laços diplomáticos", afirmou Hasan Ghashghavi ao ser questionado sobre a possibilidade de fechamento da representação da Grã-Bretanha.

Confirmando uma informação do canal em inglês da TV pública iraniana via satélite Press TV, Ghashghavi afirmou que das nove pessoas da embaixada britânica que foram detidas, cinco já foram liberadas.

Teerã acusa a embaixada da Grã-Bretanha de ter desempenhado um papel importante nos distúrbios posteriores à polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad.

bur-jds/fp

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