O governo do Irã iniciou neste domingo cinco dias de um grande exercício militar para simular ataques em suas instalações nucleares, segundo informações de autoridades do país. De acordo com o chefe da defesa aérea do Irã, o brigadeiro general Ahmad Mighani, o objetivo é evitar o reconhecimento e ataques aéreos no país.


Mighani disse à imprensa estatal iraniana que o exercício vai cobrir uma área de 600 mil quilômetros quadrados e vai "mostrar a prontidão para combate do Irã e seu potencial militar".

"Devido às ameaças contra nossas instalações nucleares, é nosso dever defender as instalações vitais de nosso país", acrescentou o militar.

Outra autoridade do país, Mojhtaba Zolnoor, conselheiro do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o governo iraniano vai retaliar com mísseis contra Tel Aviv, em Israel, caso o Irã seja atacado por israelenses.

"Se o inimigo atacar o Irã, nossos mísseis vão atacar Tel Aviv", teria dito Zolnoor de acordo com a agência de notícias oficial iraniana Irna.

'Aniquilados'

O comandante do braço aéreo da Guarda Revolucionária iraniana, Amir Ali Hajizadeh, também fez ameaças em declarações à agência de notícias iraniana Fars, afirmando que as defesas aéreas iranianas iriam "aniquilar" os aviões de guerra israelenses em caso de ataque.

"Os F-15 e F-16 (israelenses) serão capturados por nossas defesas aéreas e serão aniquilados", afirmou.

"Mesmo se os aviões deles escaparem e pousarem nas bases de onde saíram, suas bases serão atingidas por nossos mísseis terra-terra."
Estas manobras ocorrem no momento em que o governo iraniano está sendo pressionado devido ao seu programa nuclear, que, de acordo com países como Israel e Estados Unidos, visa produzir armas nucleares.

Os americanos e israelenses inclusive não descartaram a possibilidade de um ataque militar para evitar que o Irã desenvolva uma bomba nuclear. Mas o governo iraniano insiste que seu programa nuclear tem apenas fins pacíficos.

Acordo em dúvida

Os exercícios no Irã ocorrem dias depois de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia - e a Alemanha pedirem na sexta-feira que o Irã reconsidere a proposta de acordo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear do país.

A proposta, apresentada no mês passado, prevê que 70% do urânio iraniano com baixo grau de enriquecimento seja enviado à Rússia e à França para ser enriquecido e transformado em combustível nuclear, a fim de ser usado no Irã.

Este processo iria evitar que o Irã enriqueça o urânio de uma forma que possa ser usado para a fabricação de uma bomba, de acordo com a ONU.

Mas o Irã rejeitou parte do acordo, pedindo mais garantias.

O Conselho de Segurança da ONU pediu que o Irã parasse com o enriquecimento de urânio e aprovou três rodadas de sanções contra o país - que cobrem o comércio de material nuclear além de restrições financeiras e de viagens.


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