Irã inicia 31º aniversário da Revolução em meio a pior crise

Javier Martín. Teerã, 1 fev (EFE).- A República Islâmica iniciou hoje as comemorações do 31º aniversário do triunfo da Revolução imersa em uma encruzilhada que vislumbra um futuro incerto em meio a pior crise política e social de sua história.

EFE |

Tudo indica que a festa dos "dez dias da luz" pode perder o brilho neste ano pelas novas manifestações e enfrentamentos entre as Forças de Segurança e os grupos de opositores, que há sete meses protestam pela polêmica reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad e pela repressão do regime.

No último sábado, os dois principais líderes reformistas, Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karrubi, pediram que seus seguidores saíssem às ruas em 11 de fevereiro, data em que é comemorado o triunfo da revolta popular e a queda definitiva da monarquia Pahlevi.

Para esse mesmo dia, o regime convocou igualmente uma grande mobilização popular em seu apoio, que provavelmente encerrará com um discurso do controvertido líder.

A comemoração começou nesta segunda-feira com uma visita do Governo ao túmulo do aiatolá Rujola Khomeini, que retornou do exílio em 1º de fevereiro de 1979 aclamado pela multidão, quando consolidava uma revolta guiada por ele durante meses a partir de um bairro de Paris que resultou na fundação da República Islâmica.

Hoje, e na mesma hora em que o imame desceu do avião, uma chuva de flores caiu sobre o mausoléu ao som de tiros de canhão e alarmes soaram nas escolas e nos órgãos públicos do país.

Aos pés de seu túmulo, Ahmadinejad anunciou a "morte definitiva do capitalismo e do liberalismo" e o início de uma nova era "colocando um fim no domínio dos arrogantes no mundo".

"A comemoração da festa de Fajr coincide com o fracasso das ideias materialistas, do capitalismo e do liberalismo, e com o começo da globalização da grande revolução do povo iraniano", disse.

Em um dia cinza e chuvoso, o líder aproveitou o lugar onde Khomeini prometeu liberdade e prosperidade aos iranianos para prever que a mobilização pró-governamental de 11 de fevereiro "desanimará aos inimigos".

"O 11 de fevereiro (22 de Bahman) enviará uma nova mensagem à humanidade e colocará um fim no domínio dos arrogantes no mundo", ressaltou.

Com relação a isso, Ahmadinejad anunciou semanas atrás que os "dez dias da luz" serviriam para iluminar novos projetos armamentistas e espaciais, assim como para mostrar ao mundo "o desenvolvimento da nação iraniana".

Adiantou que o povo "escutará boas notícias" sobre o polêmico programa nuclear iraniano, alvo de uma inflamada queda-de-braço com a comunidade internacional.

Especialistas e diplomatas na região apontam que as perspectivas de futuro não são boas para o país que, apesar de todos os problemas, é ainda peça chave no quebra-cabeça regional e mundial.

O Irã sofre uma profunda divisão política e social desde a reeleição de Ahmadinejad em junho.

Aos gritos de "onde está meu voto?", milhares de iranianos saíram às ruas para apoiar a denúncia da oposição de que a vitória foi fruto de "uma fraude eleitoral".

A repressão posterior, que segundo as autoridades causou a morte de 30 pessoas e de acordo com a oposição 72, reativou o mal-estar de um povo jovem que há anos reivindica mudanças e uma maior abertura.

Não só os jovens, que representam quase 40% da população, também os adultos e idosos saíram nos últimos sete meses para protestar pelo alto índice de desemprego e a inflação.

Problemas que poderiam afundar a nova "lei de reorientação dos subsídios", projeto econômico do novo gabinete iraniano, que pretende economizar US$ 100 bilhões ao ano para dedicar aos investimentos.

Aprovada semanas atrás após meses de discussões entre o Governo e o Parlamento, a lei substitui os subsídios à gasolina, à eletricidade e aos alimentos por ajudas diretas em dinheiro à população.

O Irã enfrenta um possível isolamento por parte da comunidade internacional por causa das suspeitas geradas pelo seu programa nuclear.

Na semana passada, o Congresso americano aprovou uma lei que permitirá ao presidente Barack Obama impor novas sanções ao regime iraniano, e em particular à exportação de produtos como a gasolina.

As medidas punitivas são apoiadas por países como o Reino Unido e França, a quem o Irã acusa de fomentar os atuais protestos para forçar uma mudança de regime.

Sua eficácia, no entanto, parece depender, em grande parte da opção de outros dois países: Rússia e China. EFE jm-ms/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG