Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - O Irã parece ter exagerado o alcance de seu programa de enriquecimento de urânio para impressionar as potências mundiais, disse na segunda-feira um diplomata próximo à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU).

No sábado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o país tinha mais de 5.000 centrífugas nucleares em funcionamento. De acordo com o diplomata, a AIEA constatou na segunda-feira o funcionamento regular de apenas 3.500 dessas máquinas, número pouco superior ao apresentado há dois meses no último monitoramento da AIEA.

De acordo com essa fonte, não se pode descartar que o Irã de fato tenha as 5.000 centrífugas em operação, mas que parte delas esteja fora do alcance dos inspetores da AIEA.

As declarações de Ahmadinejad, apontando para uma rápida ampliação do programa nuclear, ocorrem num momento em que o Irã prepara uma resposta a uma oferta de benefícios políticos e econômicos em troca da suspensão de atividades que o Ocidente suspeita estarem ligadas ao desenvolvimento de armas nucleares -- o que Teerã nega.

O Irã, que afirma não abrir mão do seu programa nuclear, já exagerou anteriormente o avanço da sua tecnologia atômica, segundo analistas e diplomatas ocidentais. Todos são unânimes em dizer, porém, que dentro de alguns anos o Irã poderá dominar a tecnologia nuclear, caso não haja restrições.

O diplomata próximo à AIEA disse que o progresso do Irã rumo à 'capacidade industrial' de enriquecimento -- ou seja, o refino do urânio em quantidades suficientes para ogivas ou usinas atômicas -- ainda parece lento.

Ahmadinejad foi impreciso ao citar números de centrífugas, provocando confusão entre analistas ocidentais.

'Hoje temos mais de 5.000 centrífugas ativas', disse ele segundo a TV estatal, enquanto à rádio pública iraniana ele afirmou que o Ocidente deveria aceitar o fato de que o Irã manterá o enriquecimento 'com suas atuais 6.000 centrífugas'.

'É difícil verificar o que Ahmadinejad realmente disse, quanto mais (o número de centrífugas). A cifra de 4.000 é mais plausível em comparação a onde eles estavam (dois meses atrás)', disse à Reuters um diplomata da União Européia acreditado junto à AIEA.

Um analista iraniano se disse surpreso com o anúncio de Ahmadinejad, pois não houve indicação da AIEA de que tenha havido tal aumento da capacidade de Teerã.

O Irã instalou cerca de 3.000 centrifugas em 2007 na usina de Natanz (centro). Em abril, o país anunciou o início da instalação de 6.000 novas centrífugas em Natanz. Um pequeno número de peças mais avançadas e duráveis estava sendo testado numa usina-piloto vizinha.

Teerã diz que o objetivo do seu programa nuclear é produzir energia, e não fabricar bombas.

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