Teerã, 10 jul (EFE).- Os Guardiões da Revolução Islâmica (tropa de elite do regime islâmico iraniano) ignoraram as críticas do Ocidente ao teste de mísseis realizado na quarta-feira, no Golfo Pérsico, e fizeram hoje uma nova demonstração, na qual foram usados foguetes de médio e longo alcance com tecnologia avançada.

O novo teste aconteceu na madrugada de quarta para quinta-feira, e incluiu mísseis Fateh e Zelzal, de médio alcance, assim como Shahab-3, com 2 mil quilômetros de alcance e capaz de atingir vários alvos no Oriente Médio, inclusive Israel.

A televisão iraniana "Alalam" afirmou que esse foi o primeiro teste desses foguetes durante a noite, e que o exercício teve "total sucesso", após o "êxito" do primeiro teste dos mesmos modelos de mísseis, realizado ontem.

Os mísseis foram testados durante as manobras que os Guardiões realizam desde segunda-feira no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, situado entre Irã e Omã, e de especial importância estratégica para a navegação nessa via marítima.

Nos exercícios, os mais importantes deste ano, os Guardiões também fizeram testes de foguetes mar-terra, mar-ar e mar-mar, inclusive um "muito potente, chamado Hut", segundo a televisão estatal.

Os militares iranianos afirmaram que essas manobras e o teste de mísseis e aviões de reconhecimento não tripulados "têm o objetivo de demonstrar a capacidade e a preparação das forças iranianas".

O ministro da Defesa iraniano, Mostafa Mohammad Najjar, disse hoje que os mísseis "têm objetivos puramente defensivos", e que "só serão utilizados para repelir aqueles que tentarem atacar o Irã".

Em entrevista à "Alalam", o comandante da força aérea dos Guardiões da Revolução, coronel Hossein Salami, advertiu mais uma vez os Estados Unidos e Israel, mas sem mencionar nomes, ao reiterar que Teerã é "capaz de dirigir uma chuva de mísseis contra os inimigos caso o Irã seja atacado".

Embora não tenha revelado detalhes sobre o desempenho dos foguetes, Salami afirmou que "podem ser utilizados durante o dia e a noite, em diferentes circunstâncias meteorológicas".

Fontes militares iranianas tinham dito que o Shahab-3, versão mais avançada do Shahab-1 e Shahab-2, "pesa 1 tonelada e foi projetado para atingir alvos até 2.500 quilômetros de profundidade", enquanto a rede "Alalam" destacou que o foguete foi projetado para chegar até 2.500 quilômetros.

Os exercícios iranianos foram criticados por vários países ocidentais, enquanto analistas militares russos minimizaram a importância do teste do Shahab-3, e destacaram que os iranianos demorarão entre oito e dez anos para fabricar mísseis balísticos intercontinentais.

Por sua parte, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, disse que os testes reforçam a teoria de que o Irã é uma ameaça, mas descartou um confronto com a República Islâmica, a quem a Casa Branca acusa de desenvolver um programa atômico para fins militares.

Gates aproveitou para lembrar que seu país adverte há tempos que havia uma ameaça sobre a capacidade do Irã de fabricar mísseis que poderiam ser usados contra a Europa.

O secretário se referiu às tentativas de Washington de conseguir um acordo definitivo com a Europa para criar um escudo antimísseis, idéia à qual a Rússia se opõe.

O Irã, que não reconhece Israel e não tem relações diplomáticas com os Estados Unidos há três décadas, ameaçou "queimar" o Estado judeu e a força naval americana no Golfo Pérsico caso suas instalações atômicas sejam atacadas.

Os testes e as ameaças iranianas inquietaram os países árabes do Golfo, todos aliados de Washington, por temerem que um confronto entre Estados Unidos e Irã tenha como resultado a suspensão de suas exportações de petróleo através do Golfo, já que delas dependem suas economias.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que os exercícios iranianos demonstram que a ameaça do regime de Teerã "não é imaginária", e reiterou que seu país deve fazer "o que for possível para que o Irã não tenha a oportunidade de ameaçar" parceiros e amigos dos Estados Unidos. EFE fa/wr/gs

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